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28 de outubro de 2026

A HISTÓRIA DAS SEREIAS




AS SEREIAS - O CANTO QUE ATRAVESSOU 3 MIL ANOS DE HISTÓRIA


Dizem que todo marinheiro já ouviu uma. Dizem que todo homem apaixonado já viu uma. A sereia nunca existiu e, por isso mesmo, nunca deixou de existir. Ela mora exatamente onde a gente não alcança: entre a terra e o mar, entre o desejo e o medo.

Essa é a história completa dela.

*1. O BERÇO: A GRÉCIA. E ELAS NÃO TINHAM RABO DE PEIXE*





A primeira sereia da história não nadava. Ela voava.

Na Odisseia, escrita por Homero há quase 3 mil anos, as Sereias eram três irmãs - Partênope, Leucósia e Lígia - metade mulher, metade pássaro. Não viviam na água. Viviam num rochedo no meio do mar Mediterrâneo.

O poder delas não era a beleza. Era a voz. Elas cantavam e prometiam ao marinheiro aquilo que ele mais queria ouvir: todos os segredos do mundo, o futuro, o passado. O homem pulava do barco para ouvir melhor e morria afogado. É daí que vem a expressão que usamos até hoje: "canto da sereia".

Ulisses, o herói grego, foi o único que ouviu e sobreviveu. Mandou os marinheiros taparem os ouvidos com cera e se amarrou no mastro do navio. Sofreu, gritou, pediu para soltarem, mas ninguém soltou. Ele ouviu o canto proibido e voltou para contar.

O rabo de peixe só apareceu 1.500 anos depois, na Idade Média, quando os padres juntaram a lenda grega das mulheres-pássaro com os Tritões romanos e com as deusas dos rios.

*2. A MÃE DE TODAS: MAMI WATA, A SEREIA AFRICANA*




Se a sereia grega é a mais antiga, a africana é a mais poderosa.

Na África Ocidental, desde o século XV, se cultua Mami Wata - Mãe D'Água. Ela é uma mulher negra lindíssima, de cabelos longos e cacheados, com rabo de peixe enorme, toda enfeitada de joias, espelhos e conchas. Mora nos rios, nas cachoeiras e no mar.

Ela não mata. Ela escolhe. Leva o homem que ela gosta para viver com ela no fundo, onde ele fica rico e sábio. Mas se ele a trair, perde tudo.

Quando os africanos foram trazidos escravizados para o Brasil, trouxeram Mami Wata na memória. Aqui, ela encontrou o rio Amazonas e se misturou com outra lenda que já existia aqui.

*3. A NOSSA SEREIA: IARA, A LOIRA DO RIO QUE VIROU MORENA*




A Iara é brasileira. Nasceu aqui.

Antes de Portugal chegar, os índios Tupi já contavam a história do Ipupiara - o homem-peixe que vivia nos rios e afogava os pescadores. Era um monstro, não era bonito.

Quando o português contou a lenda da sereia europeia e o africano contou a de Mami Wata, as três histórias se abraçaram e nasceu a Iara.

No começo, os primeiros cronistas diziam que a Iara era loira, de olhos verdes - cópia da sereia europeia. Foi Monteiro Lobato quem mudou tudo.

Em 1917, no livro *"O Saci"* e depois em *"Geografia de Dona Benta"*, Monteiro Lobato disse: "Não! Nossa sereia não é loira. Nossa sereia é morena, de cabelos pretos, olhos castanhos, cor de gente brasileira. Ela mora no rio Tapajós". 

Lobato nacionalizou a sereia. Tirou ela do mar frio da Europa e colocou no rio quente da Amazônia. Deu a ela o boto como companheiro. A partir dele, a Iara que conhecemos hoje - morena, de cabelos longos que penteia com pente de ouro, cantando na beira do rio ao entardecer para levar o pescador - ficou definitiva.

Câmara Cascudo, nosso maior pesquisador de folclore, confirmou: a Iara é a sereia mais romântica do mundo, porque ela não mata por fome. Ela se apaixona.

*4. 30 SEREIAS PELO MUNDO - UM ATLAS DO ENCANTAMENTO*




Existem mais de 30 tipos catalogados. Cada povo criou a sua:

*As 10 mais famosas:*

*1.¹ Ningyo (Japão):* Tem rosto de macaco, corpo de peixe com escamas douradas. Quem comer sua carne vive 800 anos. Mas quem a pesca tem uma tempestade terrível. É a sereia da imortalidade.

*2. Selkie (Escócia e Irlanda):* Não tem rabo de peixe. É uma foca que tira a pele na lua cheia e vira mulher linda. Se um homem roubar sua pele, ela tem que ficar casada com ele. Mas vive chorando com saudade do mar.

*3. Merrow (Irlanda):* Usa um gorro mágico chamado "cohuleen druith". Sem ele, não pode voltar para o fundo. Os homens roubam o gorro para casar com ela.

*4. Rusalka (Rússia):* Sereia de rio, de cabelos verdes. São almas de moças que morreram afogadas por amor. No mês de junho, saem para dançar na floresta e levam os homens.

*5. Iemanjá (Brasil):* Não é sereia, é Orixá. Mas no sincretismo virou Rainha do Mar. Muitos confundem com Iara. Iara é do rio, Iemanjá é do mar.

*6. La Sirena (México):* Canta nos lagos. Dizem que foi uma moça que desobedeceu a mãe e foi castigada.

*7. Mami Wata (África):* Já falamos. A mãe de todas as sereias negras.

*8. Sirène (França):* Na Bretanha, elas avisam naufrágios com seu choro.

*9. Havfrue (Dinamarca):* Foi a que inspirou Hans Christian Andersen a escrever A Pequena Sereia, em 1837.

*10. Iara (Brasil):* A nossa.

*Outras raras:* Ceasg (sereia com rabo de salmão), Sirena Chilota (do Chile, com cabelos dourados), Aicaya (do Caribe, vingativa), Finfolk (da Noruega, que rapta noivos).

*5. AS SEREIAS QUE FORAM PARA O CINEMA*




O homem tanto contou a lenda que a levou para a tela.

O filme mais antigo é de 1904, de Georges Méliès. Mas as que marcaram:

*A Pequena Sereia (1989 - Disney):* Ariel, ruiva, que troca a voz por pernas. É a versão mais doce da história trágica de Andersen, onde na original a sereia vira espuma do mar.

*Splash - Uma Sereia em Minha Vida (1984):* Com Daryl Hannah. A sereia loira que se apaixona em Nova York.

*A Forma da Água (2017):* Ganhou o Oscar. Não chama de sereia, mas é um homem-peixe. A prova de que ainda nos apaixonamos por seres da água.

*Piratas do Caribe 4 (2011):* Mostrou as sereias mais fiéis à lenda grega: lindas, cantando, e de repente viram monstros que afogam marinheiros.

*6. POR QUE A GENTE AINDA ACREDITA?*

Cristóvão Colombo jurou que viu 3 sereias perto do Haiti em 1493. Escreveu no diário: "não eram tão bonitas como pintam". Hoje sabemos que eram peixes-boi.

Nenhum marinheiro inglês deixava mulher entrar no barco até 1950. Dizia que o barco ficava com ciúme e as sereias se vingavam.

No fundo, a sereia nunca foi sobre peixe. Foi sobre saudade.

É o que Vicente Celestino cantava: "Saudade é desejo de estar perto de quem longe está de nós". A sereia é exatamente isso. É o amor impossível entre dois mundos que nunca podem ficar juntos - o homem da terra e a mulher do mar. 

Por isso ela canta. E por isso a gente ouve.

CORDEL DA SAUDADE




*CORDEL DA SAUDADE - A PALAVRA QUE DOI E CURA*

Eu vou contar pra vocês
Num verso bem cantado
O que é essa tal saudade
Que deixa o peito apertado
Palavra pequena e doce
Mas de espinho perfumado.

Saudade é flor com espinho
Cheirando a dor e amor
É breve na escrita, eu digo,
Mas longa no dissabor
Quem escreve não traduz
O tamanho do seu ardor.

É querer estar bem perto
De quem está longe demais
É um "ai" que sai do peito
Sem saber pra onde vai
Se é suspiro, se é voz
Que o vento leva e traz.

É sorriso com tristeza
É choro de alegria
É a dúvida que maltrata
É a esperança que alivia
É a conta que não fecha
Na matemática do dia.

O poeta  já nos ensinou
Num verso de bem-querer:
Saudade é calculada,
Pode crer pra você ver,
Distância multiplicada
Pelo tanto de querer.

Saudade enche os olhos
De um brilho de ardor
É uma dor que é remédio
E remédio que é dor
Tédio que vira tristeza
Tristeza que vira amor.

É ânsia, é suspiro fundo,
Vontade de rever
Quem lá de longe nos olha
Com olho de bem-querer
E a gente conta os dias
Pra esse dia acontecer.

Palavrinha tão pequena
Mas que diz tudo de uma vez
Carrega o mundo inteiro
Numa sílaba talvez
Por ela valeu a pena
Inventar o português.

Se saudade é portuguesa,
É brasileira também,
Mora no peito do povo
De todo que quer bem
Quem nunca sentiu saudade
Nunca amou ninguém.

Saudade de mãe na janela
Esperando na calçada
De pai contando história
Na rede balançada
Do tempo de menino
De chinelo e de nada.

Saudade do interior,
Do cheiro de chão molhado
Do café no fogão a lenha
Do pão de milho assado
Do aboio do vaqueiro
No sertão bem acordado.

Saudade de um amor antigo
Que não soube ficar
De carta que não chegou
De trem que vi partir
Da promessa na estação
De um dia voltar a vir.

Saudade do que não viveu,
Do que podia ter sido
Do abraço que não deu
Do perdão que foi perdido
Do "eu te amo" engasgado
No peito arrependido.

Saudade dói de manhã
Quando o galo canta cedo
Dói de tarde no terreiro
Quando bate o arvoredo
E de noite é companheira
De quem dorme com medo.

Tem saudade que é bonita,
Que dá pra se guardar
Igual retrato na parede
Que a gente vive a olhar
Tem saudade que é faca
Que só serve pra cortar.

Tem saudade de quem foi
E mora lá no céu
De quem virou estrelinha
Num cantinho do véu
A gente olha pra cima
E conversa com o léu.

Saudade de Luiz Gonzaga
Cantando no radinho
De Vicente Celestino
Com aquele vozeirão
Cantando essa palavra
Que é do nosso sertão.

E por fim eu digo a todos
Que estão me escutando:
Saudade não mata, não,
Só vive ensinando
Que quem sente saudade
É porque tá amando.



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HISTORIA DAS MUSICAS DISPARADA E A BANDA




*DISPARADA - A HISTÓRIA COMPLETA DO HINO QUE PAROU O BRASIL EM 1966*

Uma canção que nasceu como moda de viola e acabou virando hino de resistência. Essa é a história de "Disparada", um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira.

*A COMPOSIÇÃO*

"Disparada" foi composta em 1966 por dois nomes gigantes: a melodia é de Théo de Barros e a letra é de Geraldo Vandré.

Vandré, paraibano criado no Rio de Janeiro, vivia o auge do movimento estudantil e do nacionalismo dos anos 60. Théo de Barros já era um violonista consagrado. Juntos, eles queriam criar algo que nunca tinha sido feito nos festivais: trazer o Brasil do interior, do sertão, para o palco da cidade grande.

A ideia era ousada. Até então, os festivais eram dominados pela Bossa Nova e pelo samba urbano. "Disparada" trouxe a viola caipira, o ritmo de cururu e a figura do boiadeiro.

*O SIGNIFICADO OCULTO DA LETRA*

À primeira vista, parece a história de um boiadeiro que laça seu boi. Mas a letra é uma metáfora poderosa da época da Ditadura Militar.

Vandré compara a boiada ao povo brasileiro. O boiadeiro que se acha rei, mas na verdade é explorado, representa o trabalhador. Os versos "Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar" anunciam uma crítica social direta: fala da exploração das classes pobres pelos ricos, do homem do campo que trabalha sem parar e nunca é dono de nada.

> "Na boiada já fui boi, mas um dia me apartei
>  Eu ponho quem eu quiser na fila pra boiar"

É o momento em que o oprimido descobre sua força.

*O FESTIVAL E A VOZ DE JAIR RODRIGUES*

A canção foi inscrita no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em São Paulo, em outubro de 1966. O festival foi realizado no Teatro Record Consolação.

O intérprete escolhido foi Jair Rodrigues. E aqui tem uma curiosidade histórica: Geraldo Vandré não queria Jair. Achava que o estilo alegre, com roupas coloridas e gestos largos de Jair, não combinava com a dramaticidade da letra.

Jair, porém, tinha uma ligação pessoal com a música. Anos depois ele explicou: "Meu pai morreu no lombo de um burro. Ele era boiadeiro, o velho Severiano Rodrigues de Oliveira. Acho que o 'Disparada' tem muita coisa a ver com ele".

No palco, Jair foi acompanhado pelo Trio Marayá e pelo Trio Novo - formado por Heraldo do Monte, Théo de Barros e um jovem Airto Moreira na queixada de burro. A performance com braços abertos, voz rasgada e gritos de boiadeiro, foi fulminante.

*O EMPATE HISTÓRICO QUE NINGUÉM ESQUECE*

Na noite final, em 10 de outubro de 1966, o Brasil parou. A final tinha 12 músicas. As duas favoritas eram "Disparada" e "A Banda", de um jovem chamado Chico Buarque de Holanda, defendida por Nara Leão.

Nas folhas de votação do júri, "A Banda" venceu por 7 votos a 5. Mas Chico Buarque, ao saber do resultado, foi até a comissão organizadora e disse que não aceitaria ganhar sozinho. Para ele, "Disparada" era a melhor música do festival e se houvesse apenas um vencedor, ele entregaria o prêmio.

Para evitar o constrangimento, a organização anunciou um empate histórico: duas vencedoras no primeiro lugar. Foi a primeira vez que isso acontecia e criou duas torcidas no Brasil inteiro - quem era de "A Banda" e quem era de "Disparada".

*PARTICULARIDADES QUE POUCOS SABEM*

*1. A batida diferente:* Foi a primeira vez que uma moda de viola entrou num festival de MPB com arranjo moderno, com viola, percussão e coral.

*2. Sucesso internacional:* A canção foi gravada em francês pela cantora Frida Boccara com o nome "Taureau" (Touro).

*3. O Trio Novo nasceu ali:* O grupo que acompanhou Jair foi criado especialmente para o festival e se tornou um dos grupos instrumentais mais importantes do Brasil.

*4. O prenúncio de Vandré:* Dois anos depois, em 1968, Vandré comporia "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores (Caminhando)", que se tornaria o maior hino contra a ditadura e que o levaria ao exílio.

Disparada permanece até hoje como o retrato do Brasil profundo, que canta sua dor em forma de aboio, mas que um dia resolve se apartar da boiada.

LETRA E MUSICA








*A BANDA - A HISTÓRIA COMPLETA DA OUTRA CAMPEÃ DE 1966*

Se "Disparada" era o grito do sertão, "A Banda" era a poesia da cidade que sonhava com alegria.

*A COMPOSIÇÃO*

"A Banda" foi composta em 1966 por um jovem de apenas 22 anos chamado Chico Buarque de Holanda. Ele já tinha feito "Olê Olá", mas ainda era desconhecido do grande público.

Chico escreveu a música em casa, no violão, imaginando uma banda que passa na rua triste e de repente traz alegria para todos. A inspiração foi simples: ele via uma banda militar passando na Rua e pensou no efeito que a música tem nas pessoas comuns.

A letra é toda uma metáfora. A banda que passa representa o amor, a esperança, a felicidade que some rápido. O "meu bem" que ele chama é a vida que fica vazia quando a música acaba.

*O FESTIVAL E A VOZ DE NARA LEÃO E CHICO*

Chico inscreveu a música no II Festival da TV Record de 1966. Quem deveria cantar era Nara Leão, a musa da Bossa Nova.

Na semana do festival, Nara ficou rouca. Para não perder a chance, Chico subiu no palco junto com ela para cantar. Foi a primeira vez que o Brasil viu Chico Buarque cantando em público.

Com seu jeito tímido, magrinho, de óculos, cantando baixinho "Estava à toa na vida...", ele conquistou a plateia. O Brasil inteiro se apaixonou na hora.

Acompanhado pelo Quarteto em Cy, a apresentação foi leve, doce, completamente diferente da força de Jair Rodrigues.

*O EMPATE*

Na final, como contei na matéria de cima, o júri deu 7 votos para "A Banda" e 5 para "Disparada". Chico não aceitou ganhar sozinho e pediu o empate. A Record anunciou então as duas como primeiro lugar.

Chico levou o prêmio de Cr$ 4 milhões da época e gravou logo depois o primeiro LP.

*3 CURIOSIDADES RÁPIDAS:*

*1. Sucesso imediato:* Em uma semana, "A Banda" vendeu 100 mil compactos. Foi o disco mais vendido do ano.

*2. Gravada no mundo todo:* Foi gravada em francês por France Gall como "La Bande", e em italiano por Mina como "La Banda".

*3. A música da volta:* Até hoje, quando uma banda passa no interior, o povo ainda canta "A banda passou..." por causa dela.

As duas campeãs de 66 ficaram na história: uma representando o Brasil que trabalha no campo, a outra representando o Brasil que sonha na cidade.

VIDEO E LETRA





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FILME EPICO - A PRINCESA DO NILO DUBLADO




*A PRINCESA DO NILO (1954) - HISTÓRIA COMPLETA*

*FICHA TÉCNICA CORRETA*

- *Título original:* Princess of the Nile
- *Título no Brasil:* A Princesa do Nilo
- *Ano:* 1954
- *País:* Estados Unidos
- *Estúdio:* Panoramic Productions / 20th Century Fox
- *Duração:* 71 minutos (1h11)
- *Gênero:* Aventura, Fantasia, Romance
- *Direção:* Harmon Jones
- *Roteiro:* Gerald Drayson Adams
- *Música:* Lionel Newman
- *Cor:* Technicolor

*ELENCO PRINCIPAL*
- Debra Paget como Princesa Shalimar / Taura (a dançarina)
- Jeffrey Hunter como Príncipe Haidi, filho do Califa de Bagdá
- Michael Rennie como Rama Khan, o vilão beduíno
- Dona Drake como Mirva
- Michael Ansara como Capitão Kral
- Edgar Barrier como o Xamã

*A HISTÓRIA COMPLETA - O QUE ACONTECE*

Ano 1249 D.C., no Egito.

O pai da Princesa Shalimar caiu no feitiço de um Xamã sinistro que dá drogas pra ele e mantém ele como prisioneiro dentro do próprio palácio. A cidade de Helwan está dominada pelo tirano Rama Khan e seu exército de beduínos.

Shalimar descobre uma passagem secreta no palácio. De dia ela é princesa, de noite ela se disfarça como *Taura, a dançarina do pandeiro*, e vai para a Taverna do Pandeiro no mercado entreter e organizar o povo oprimido para fazer uma revolta.

Nesse mesmo tempo, chega na cidade o Príncipe Haidi, filho do Califa de Bagdá, com seu amigo Capitão Hussein. Eles voltavam pra casa pra anunciar suas vitórias.

Rama Khan também chega com seu exército. Ele está combinado com o Xamã para derrubar o governo de Helwan de vez.

Na confusão, o Capitão Hussein é morto pelos homens de Rama Khan. E Taura, sem saber quem é o Príncipe Haidi, enfia uma adaga nele achando que ele é inimigo. Mas o ferimento não é mortal.

Haidi vai falar com o pai de Shalimar e fica perguntando quem é aquela dançarina Taura, sem saber que Taura e Shalimar são a mesma pessoa.

Rama Khan quer a princesa pra ele. Ele ameaça matar os aldeões se ela não se entregar pra ele.

No final tem a grande batalha: Haidi, que agora já descobriu que Shalimar é Taura, enfrenta e vence Rama Khan, o Xamã é morto e Helwan é libertada.




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Á HiSTORIA DA MUSICA CONSTRUÇÃO DE CHICO BUARQUE




CONSTRUÇÃO  - A OBRA PRIMA DE CHICO  BUARQUE 

a Construção foi lançada em 1971, faixa título do álbum _Construção_, considerado até hoje o disco mais importante da carreira de Chico Buarque e um dos 3 maiores discos da MPB.

Ela não nasceu do nada. Ela nasceu entre dois mundos.

Chico tinha acabado de voltar de um autoexílio na Itália. Ele foi pra lá no começo de 1969, fugindo do sufoco que ficou depois do AI-5 em 1968. Ele tinha sido perseguido, sua peça Roda Viva tinha sido censurada e depredada, ele estava na mira.

Ele volta pro Brasil em março de 1970, e o que ele encontra aqui é o Brasil do general Médici: o período mais duro da ditadura. Por fora, o tal "Milagre Brasileiro", Brasil tricampeão do mundo, slogan "Ame-o ou Deixe-o". Por dentro, censura, prisão, tortura, gente desaparecendo.

Chico estava sufocado e precisou inventar um jeito novo de falar. Ele mesmo chegou a usar o pseudônimo Julinho da Adelaide pra tentar passar pela censura.

*2. Qual foi a causa, a inspiração*

O próprio Chico contava duas inspirações diferentes, e as duas se juntam.

A primeira foi uma notícia de jornal. Um operário da construção civil caiu de um prédio e morreu. A morte foi tratada como um transtorno no trânsito. "Atrapalhou o tráfego". Aquilo revoltou o Chico. Ele viu ali a desumanização total do trabalhador.

A segunda foi musical e poética. Chico queria fazer uma música que fosse ela mesma uma construção. Que nem um prédio que sobe tijolo por tijolo.

Por isso ele criou uma engenharia absurda na letra:

- São 17 versos, todos em dodecassílabos, 12 sílabas poéticas, igual aos clássicos.
- Todos terminam em palavra proparoxítona: mágico, máquina, lógica, pássaro, bêbado, etc.
- A história é contada 3 vezes, com os mesmos 16 primeiros versos mudando SÓ a última palavra. Como se fossem 3 blocos que vão subindo.
- No primeiro bloco ele beijou a família e foi pro trabalho.
- No segundo bloco ele trabalhou como uma máquina.
- No terceiro bloco ele morreu como se fosse um pássaro, e atrapalhou o trânsito, o público, o sábado.

É uma estrutura circular. Você sobe e despenca.

O arranjo ficou com o maestro Rogério Duprat, da Tropicália, e a produção com Roberto Menescal. A base harmônica é super simples, dois acordes que ficam repetindo, mas a orquestra vai crescendo em cima, vai ficando cada vez mais densa, mais sufocante, até o final trágico. Quem canta o coro com ele é o MPB-4.

*3. As dificuldades com a censura*

O mais curioso: Construção PASSOU pela censura.

Enquanto Deus Lhe Pague, do mesmo disco, foi vetada, e Samba de Orly foi parcialmente censurada, Construção passou limpa. Os censores não entenderam a crítica. Eles acharam que era só uma música sobre um pedreiro. A linguagem tão rebuscada, cheia de metáforas e proparoxítonas, confundiu os militares. Foi a inteligência do Chico vencendo a tesoura.

*4. As curiosidades que você pode usar na redação*

- *Pedro Pedreiro:* Construção é irmã de Pedro Pedreiro, de 1965. As duas falam do mesmo trabalhador. Pedro Pedreiro esperava a sorte voltar. O da Construção já não espera mais, ele vira engrenagem e morre.
- *Eleita a maior de todos os tempos:* Em 2009 a Revista Rolling Stone Brasil elegeu Construção como a MAIOR CANÇÃO BRASILEIRA DE TODOS OS TEMPOS. Em 2001, a Folha de S. Paulo já tinha eleito como a 2ª maior, só atrás de Águas de Março.
- *Olimpíada de 2016:* Ela foi tocada na abertura das Olimpíadas do Rio, no seu Rio de Janeiro, quando mostraram os prédios subindo. O mundo inteiro ouviu.
- *O que Chico diz:* Quando perguntam o que a música significa, Chico sempre responde que o foco dele não era a crítica social, e sim o jogo de montar. Ele disse que queria fazer uma música que fosse construída como se constrói uma casa. A crítica veio junto, mas a obsessão dele era formal, matemática.
- *6 minutos e 24 segundos:* Pra época, uma música desse tamanho não tocava em rádio. Mesmo assim virou sucesso absoluto.

No fundo, Construção é o retrato mais doloroso que a gente tem da relação entre capital e trabalho no Brasil. O operário amou como se foss⁴e máquina, trabalhou como se fosse máquina, morreu como se fosse bêbado e, no fim, não era ninguém. Só atrapalhou o tráfego.


VIDEO E LETRA






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