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17 de outubro de 2026

DOLORES DURAN VIDA E OBRA

Adélia Silva da Rocha mais conhecida como Dolores Duran, nasceu no Rio de janeiro no dia 7 de junho de 1930 e faleceu com apenas 29 anos no no Rio de janeiro no dia 24 de outubro de 1959.
Uma mulher a frente do seu tempo que não se prendia a valores sociais e nem tão pouco dava bola para aos costumes da época.
 Mulher que bebia, fumava e vivia a vida livremente namorando e sofrendo com seus romances como hoje em dia.
Nasceu em uma casa humilde, em uma vila, na rua do Propósito, no bairro da Saúde, Zona Central do Rio de Janeiro, onde morou por alguns anos. Teve uma infância pobre e não conheceu seu pai biológico. Cresceu ao lado de sua mãe, Josepha Silva da Rocha, seu padrasto, Armindo José da Rocha, e suas duas meias-irmãs, Solange e Denise. Ainda na infância mudou-se para um cortiço no bairro da Piedade, onde foi criada. Desde criança gostava de cantar e sonhava em ser famosa. Aos oito anos de idade contraiu uma febre reumática, que quase a levou à morte, e que deixou como sequela um sopro cardíaco gravíssimo.

Aos doze anos de idade, influenciada pelos amigos e convicta de seus sonhos pessoais, resolveu, com a permissão da mãe, inscrever-se num concurso de cantores.


 Surpreendentemente, ela cantou muito bem, como uma profissional, mesmo sem nunca ter estudado música, e conquistou o primeiro prêmio no programa Calouros em Desfile, de Ary Barroso. As apresentações no programa tornaram-se frequentes, fixando-a na carreira artística. Contrariando a mãe, deixou os estudos para dedicar-se somente a música.

Sem nunca ter estudado línguas, aprendeu sozinha a cantar em inglês, francês, italiano, espanhol e até em esperanto. Ella Fitzgerald durante sua passagem pela bela Cidade do Rio de Janeiro, nos anos 1950, foi à boate Baccarat especialmente para ouvir Dolores e entusiasmou-se com a interpretação para "My Funny Valentine" - a melhor que já ouvira, declarou Fitzgerald.

Dolores Duran passou a receber inúmeros convites para cantar na noite carioca. Ela cantava em diversas boates no mais boêmio e encantador bairro daquela época: a Lapa. Fazendo cada vez mais sucesso, o conservadorismo da época começou a pesar, recebendo críticas da família por beber, fumar e chegar de manhã em casa, mas nada disto a fez desistir do seu sonho de sobreviver exclusivamente da música.


Sempre dedicada, já tocava violão, o que aprendeu sozinha, e passou a cantar músicas internacionais no programa "Pescando Estrelas", no qual só havia cantoras jovens e conceituadas. Lá ela conheceu e se tornou melhor amiga da cantora da importante Rádio Guanabara e da famosa Rádio Nacional, Julie Joy. Através de Julie, Dolores começou a cantar na Rádio Guanabara, e consolidou sua carreira. Ela sempre ia para a Zona Sul gravar as músicas nos estúdios da rádio. Dolores decidiu que era hora de ser independente: já havia conquistado sua independência financeira, agora era hora de ter sua liberdade pessoal. Com muita tristeza, se despediu da mãe, do padrasto e das irmãs, e saiu de casa. Ela e Julie alugaram um apartamento em Copacabana, pois era mais perto do estúdio da rádio, e Dolores não precisaria ir de bonde até Piedade, e chegar tarde em casa. Apesar disso, Dolores sempre ia visitar sua família e jamais esqueceu sua origem humilde.


Dolores teve muitos namorados. O primeiro foi um garçom da boate Vogue, onde cantava. Ele a traiu e, arrependido, quis voltar. Dona de um temperamento forte, ela não o perdoou. Após outros relacionamentos esporádicos, conheceu e começou a namorar o compositor paraense Billy Blanco, com quem ficou por seis meses. Eles eram muito unidos, e Dolores gravou algumas de suas canções, já que Billy escrevia várias letras. Dolores também escrevia algumas letras, que ele gravou. Após o término amigável, manteve outros relacionamentos, até que iniciou um namoro com João Donato. A relação também durou seis meses. Entretanto, a intenção de ficarem juntos sofreu o preconceito social e racial: a família do rapaz não aceitava que ele namorasse uma cantora da noite, mulata e mais velha que ele. De noivado marcado, ele acatou a decisão da família e abandonou Dolores, indo viver no México. Sofrendo muito com tudo isso, compôs músicas intensas e de muito sucesso nessa época.


A década de 1950 se iniciou marcante para Dolores, que passou a cantar nas sofisticadas boates do famosíssimo Hotel Glória, sendo convidada para viajar em turnês pelo Brasil.

A estreia de Dolores no disco foi em 1952, chamado Músicas para o Carnaval, gravando dois sambas para o Carnaval do ano seguinte: "Que Bom Será" (Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Márquez) e "Já Não Interessa" (Domício Costa e Roberto Faissal). Em 1953, gravou "Outono" (Billy Blanco), e "Lama" (Paulo Marquez e Alice Chaves). Dois anos depois, vieram as canções "Canção da Volta" (Antônio Maria e Ismael Neto), "Bom É Querer Bem" (Fernando Lobo), "Praça Mauá" (Billy Blanco) e "Carioca" (Antônio Maria e Ismael Neto).


Em 1955, seu coração não suportou: foi vítima de um infarto, tendo passado trinta dias internada no Hospital Miguel Couto. Isto ocorreu pois Dolores resolveu não seguir as restrições que os médicos lhe determinaram, como dormir cedo, evitar bebidas e cigarro, e não vivenciar fortes emoções. Por não seguir tais recomendações, acabou agravando seus problemas cardíacos, pois abusava do cigarro (fumava mais de três carteiras por dia), e da bebida alcoólica, principalmente a vodka e o uísque, que sempre a acompanhavam na noite e às vezes durante o dia. Ela temia a morte, e convivia com isso desde criança, então, queria viver intensamente tudo o que tinha para viver. Dolores se entregava totalmente aos seus desejos sem pensar no amanhã.


Nas madrugadas, sem conseguir dormir, e sozinha, ela escrevia suas letras nas mesas dos bares, bebendo e fumando, ouvindo canções de bolero, salsa, choro e samba. Inspirava-se em seus casos amorosos e na sua vida em geral, suas alegrias e tristezas para compor suas inesquecíveis letras.

Nesse mesmo ano de 1955, na gravadora Copacabana, conheceu o cantor e compositor Macedo Neto, de quem gravou diversos sambas. Os dois iniciaram uma amizade, e logo se apaixonaram.


Após alguns meses de namoro, Dolores descobriu estar grávida, o que não havia planejado. Um pouco assustada, mas muito feliz, saiu do apartamento que dividia com sua amiga Julie Joy, e foi morar na casa de Macedo Neto. Preparando o enxoval do bebê e os documentos para o casamento oficial, Dolores, com dois meses de gestação, teve uma forte metrorragia, e foi internada. Lá descobriu que sofreu um aborto espontâneo, e que por ter sido aquela uma gravidez ectópica, havia ficado estéril. Este fato a abalou profundamente, e a fez entrar em depressão.

O casal, então, tentou fortalecer sua união, e tentando recuperar-se desse episódio, Dolores e Macedo casaram-se em um cartório local, em uma pequena cerimônia civil, e fizeram uma discreta reunião para amigos íntimos e familiares. Dolores Duran passou a assinar Adiléia Silva da Rocha Macedo. Dolores ficou muito triste, pois sua mãe não compareceu ao seu casamento. Só uma de suas irmãs.

  Com o tempo, as brigas devido ao machismo e ao ciúme do marido aumentaram consideravelmente. Entre idas e vindas, ela descobriu que seu marido proibiu sua mãe de comparecer ao casamento por ela ser negra. Após sentir-se atacada por tamanho preconceito, entrou com o pedido de separação, porém, após meses separados, ela o perdoou e ambos voltaram.

Em 1956, após mais um ano de um casamento recheado de muitas discussões e brigas violentas, com muitas humilhações, agressões e traições, Dolores optou pela separação e saiu de casa. Muito abalada, e sofrendo de insônia, passou a misturar calmantes com bebida alcoólica, além de fumar mais que antes.


Em referência à mais uma separação dolorosa que teve, Dolores compôs a canção "Fim de Caso", gravada em 78 rpm, um estrondoso sucesso, que a levou direto para a Europa, onde ela cantou e se apresentou em diversos países, nas mais conceituadas casas de show. Lá, ela montou um conjunto musical, com cantores e compositores brasileiros e europeus. Passou a se apresentar dia e noite, fazendo muito sucesso. Da Europa, ela foi cantar no Uruguai, na União Soviética e na China, na companhia de seu conjunto musical, mas o conjunto musical se desfez, por desentendimento dela com o grupo, que queria que ela cantasse outros ritmos que ela não queria cantar. Separada do grupo, Dolores passou a viajar sozinha por diversos países em uma turnê, e então, realizou um de seus grandes sonhos, que era conhecer Paris. Fazendo diversos shows pela cidade luz, viveu lá por seis meses.

De volta ao Brasil em 1957, fez muito sucesso na TV e nas rádios com a canção "A Fia de Chico Brito", composta por Chico Anysio.


Neste mesmo ano de 1957, realizou o maior sonho de sua vida, e recebeu a maior bênção que podia ter: uma filha. Sua empregada, Rita, era amiga da mãe da menina, que faleceu no parto, pois não aguentou ter perdido o marido num dos maiores acidentes de trem do Rio de Janeiro. Sem ter condições financeiras de criar a menina, e por ser solteira, levou a bebê com três dias de vida para sua patroa conhecer. Dolores se encantou pela menina, e a queria como sua filha. Tentando entrar com o pedido de adoção, mais uma vez o preconceito se fez presente, por ela ainda ser casada, tendo que constar o nome de seu marido na certidão da criança. Como Dolores também não possuía o nome de seu pai no seu registro, pensou em todo preconceito social que a filha sofreria. Como ainda era apaixonada por Macedo e ele sempre insistia para reatarem o matrimônio, ela resolveu procurá-lo. Após conversarem, ele decidiu provar que se arrependeu de seus preconceitos, e aceitou adotar esta menina negra e órfã. Eles então tiveram o pedido de adoção concedido pela justiça, e conseguiram a guarda oficial da menina, e a batizaram de Maria Fernanda da Rocha Macedo.


Tentando dedicar-se a vida de esposa e mãe, os compromissos profissionais só intensificavam-se. Tentando criar hábitos saudáveis, era muito difícil controlar sua ansiedade, insônia e seu temperamento forte, o que a fazia recorrer aos barbitúricos, cigarros e bebidas alcoólicas, a deixando muito culpada e depressiva. As constantes brigas entre o casal voltaram. Ele queria que a esposa deixasse a vida profissional para cuidar do casamento e da filha. Após descobrir novas traições e cansada de sofrer com os ciúmes, humilhações e agressões do marido, Dolores então terminou definitivamente o casamento em 1958, e os dois se desquitaram. Ela, então, voltou a assinar seu sobrenome de solteira, vendeu seu apartamento e comprou um casarão na Zona Sul do Rio de Janeiro, para onde levou sua mãe, que vivia sozinha e estava viúva.


Recém desquitada e fazendo cada vez mais sucesso, um jovem compositor apresentou a Dolores uma composição dele e de Vinícius de Moraes. Tratava-se de Antônio Carlos Jobim em início da carreira. Em três minutos Dolores pegou um lápis de sobrancelha e compôs a letra da canção "Por Causa de Você". Vinícius ficou encantado com a letra e, gentilmente, cedeu o espaço a Dolores. Foi revelado, a partir daí, o talento de Dolores para a composição e grandes sucessos, como "Estrada do Sol", "Ideias Erradas", "Minha Toada" e "A Noite do Meu Bem", entre outros. No entanto, não gravou todas as suas composições, pois o seu repertório estava mais centrado no lado intérprete, além de que seu lado compositora surgiu mais especificamente nos dois últimos anos de sua curta vida. Nesse período, compôs algumas das mais marcantes canções da MPB, como "Castigo" e "Olha o Tempo Passando", entre tantas outras. Seu parceiro mais constante foi o pianista Ribamar. Neste mesmo ano, após ter se relacionado amorosamente com diversos atores, compositores e cantores, conheceu um músico mais jovem, chamado Nonato Pinheiro. Ele gostou da cantora, e em pouco tempo de amizade, começaram a namorar.

Na noite de 23 de outubro de 1959, depois de um show na boite Little Club, a cantora saiu com seu namorado, Nonato, e com seus amigos, incluindo Julie Joy, para uma festa musical da alta sociedade, somente para artistas selecionados, no requintado Clube da Aeronáutica. Ao sair desse evento, resolveram fechar a noite bebendo, dançando e ouvindo canções na boate Kit Club. A cantora chegou em casa muito alegre, às sete da manhã, do dia 24 de outubro.

De

Em seguida, após dar banho e se divertir com sua filha na banheira, a arrumou e a entregou para a babá, pois ia dormir, já que tinha um show para fazer à noite. Mesmo cansada, estava tranquila, e muito simpática, passou os últimos cuidados à empregada Rita: "Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer!", disse, brincando e sorrindo. No quarto, enquanto dormia, sofreu um infarto fulminante – que, à época, foi associado a doses excessiva de barbitúricos, cigarros e bebidas alcoólicas.

À noite, a empregada bateu em seu quarto, visto a demora para acordar, já que a cantora nunca se atrasava para nenhum show. Após conseguir pedir ajuda para arrombar a porta, Rita se desesperou ao perceber que Dolores havia falecido.

A morte prematura de Dolores Duran, aos 29 anos, interrompeu uma trajetória vivida intensamente. A cantora e grande amiga Marisa Gata Mansa levou os últimos versos de Dolores para Carlos Lyra musicá-los. Nasceu assim o clássico "O Negócio É Amar".


O ex-marido de Dolores criou a filha adotiva do casal, que em entrevistas disse ser grata a esta mulher que a acolheu como filha, embora não se lembre dos momentos que passaram juntas, por ter apenas dois anos de idade na época do falecimento da mãe. Mesmo assim, disse amá-la profundamente, e que até os dias atuais ainda cultua sua memória, tentando manter viva através de outros músicos a obra de sua mãe. Encontra-se sepultada na Quadra 55, sepultura 21.556 no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.


Dolores Duran, a cantora da noite do seu bem que viajou na “Asa do Vento” em busca da “Estrada do Sol”.
Dos 10 aos 29 anos cantou todas as línguas do amor.
O amor magoado.
O amor triste.
O amor que nunca desiste.
Todas as línguas da dor.
A dor do filho que não nasceu.
Do final feliz que não aconteceu.
Do amor eterno, que morreu.

Eu não te amo por que quero
Se eu pudesse esqueceria
Vivo, e vivo só por que te espero
Esta amargura, esta agonia”

Ela é a primeira estrela que vier.
A rosa mais linda que houver.
É a voz dos corações abatidos e mal tratados.
Sonhadores e apaixonados.
Com sua voz sussurrada e triste, Dolores Duran representa as dores que duram mais que os sonhos e as canções.
A voz que sussurra ao coração seu desespero contido.

“Eu quero qualquer coisa verdadeira
Um amor, uma saudade, uma lágrima, um amigo”

Dolores Duran é a indiferença fria de “Fim de Caso” e a dor que queima de “Castigo”.
É o amor em cada gesto, em cada olhar.
É o amor que quer ser amado, aonde quer que ele vá.

“Meu lugar é aqui
Faz de conta que eu não saí”
Dolores Duran jamais sairá dos corações feridos.
Aqueles que nunca se dão por vencidos.
Por causa de você, Dolores Duran, o amor renasce a cada manhã.

“As flores na janela
Sorriam, cantavam
Por causa de você”
É por causa de Dolores Duran que os amores sofridos têm mais brilho.
E por causa dela, que junto com as flores na janela, cantamos e sorrimos!

DOLORES DURAN VIDEOS

FIM DE CASO



POR CAUSA DE VOCÊ 





TERNURA ANTIGA




A NOITE DO MEU BEM



CASTIGO


CANÇÃO DA VOLTA




16 de outubro de 2026

CHICO BENTO 10 DESENHOS COMPLETOS




A HISTÓRIA COMPLETA DO CHICO BENTO - O CAIPIRINHA MAIS AMADO DO BRASIL

*Você sabia que o Chico Bento não começou como personagem principal?* Ele foi criado por Mauricio de Sousa em 1961 e apareceu pela primeira vez em 1963 como coadjuvante na tirinha do Zé da Roça e do Hiro!

DE ONDE VEIO A INSPIRAÇÃO?

O nome e o jeito vieram de duas histórias reais:
- Um amigo de infância de Mauricio, de Santa Isabel, chamado João Galinha.
- Os tios-avôs da avó dele, Dona Dita, que se chamavam Chico e Bento. Juntou e virou *Francisco Antônio Bento*.

De coadjuvante, o povo gostou tanto que em 26 de agosto de 1982 ele ganhou revista própria pela Editora Abril. Foi o primeiro personagem fora da Turma da Mônica a ter revista solo!

ONDE ELE MORA? VILA ABOBRINHA!

Tudo acontece na *Vila Abobrinha*, aquela cidadezinha de interior com estrada de terra, porteira, rio, milharal e pé de goiaba.
*A turminha da roça:*
- *Chico Bento:* Chapéu de palha remendado, pé no chão, só pensa em pescar lambari e fugir da escola. Fala "prantá", "ocê", "num tem".
- *Rosinha:* A namoradinha de vestido rosa, valente e ciumenta. Filha do Nhô Lau.
- *Zé Lelé:* O primo que só fala "é... é...", melhor amigo do Chico.
- *Zé da Roça e Hiro:* Os primeiros donos da tira, que viraram amigos dele.
- *Nhô Bento e Dona Cotinha:* Os pais agricultores.
- *Vó Dita:* A avó contadeira de causos, inspirada na avó verdadeira do Mauricio.
- *Dona Marocas:* A professora da escolinha.
- *Genesinho:* O menino da cidade, rival do Chico.

O CHICO BENTO MOÇO

Em 2013, igual à Turma da Mônica Jovem, o Chico cresceu! Virou o *Chico Bento Moço*.
Nessa fase ele sai da Vila Abobrinha e vai estudar *Agronomia* na cidade de Nova Esperança, mora em república e aprende técnicas pra ajudar a roça do pai. A revista foi feita em estilo mangá e durou até 2021.

É a segunda série mais popular de Mauricio de Sousa, só atrás da Turma da Mônica, e representa com muito respeito a cultura caipira brasileira.


ASSISTIR 


































 








ANIMAIS EXÓTICOS BRASILEIROS


- *Boto-cor-de-rosa*: É o golfinho do Rio Amazonas e Araguaia. O macho adulto fica bem rosa porque vai se arranhando em brigas. Chega a 2,5 metros e 180kg. Tem o pescoço flexível, consegue virar a cabeça 90 graus, diferente do golfinho do mar. Vive em água doce e usa sonar para caçar em água barrenta. Está ameaçado por hidrelétricas e rede de pesca. Lenda amazônica diz que ele sai do rio em festa junina.
- *Mico-leão-dourado*: Pesa só 600 gramas, todo dourado com uma juba ao redor da cara. Só existe num pedaço de Mata Atlântica entre Rio e São Paulo. Vive em família de até 8 indivíduos, pai e mãe cuidam juntos dos filhotes. Dorme em oco de árvore. Chegou a ter só 200 na natureza nos anos 70. Hoje tem 3.200 graças ao trabalho do projeto na Reserva de Poço das Antas. É o animal símbolo da cédula de 20 reais.
- *Arara-azul-de-lear*: Azul-cobalto com a cabeça mais clara. 75cm de comprimento. Só vive no sertão de Canudos, no norte da Bahia, e depende do licuri, o coco da palmeira de ouricuri , para comer. Faz ninho em paredões de arenito. Foi considerada extinta até ser redescoberta em 1978. Hoje tem cerca de 1.800 soltas, ainda em perigo crítico. É mais rara que a arara-azul-grande.
- *Tatu-canastra*: O gigante. Até 1,5 metro e 50kg. Carapaça escura, patas dianteiras com unha de 20cm que parece foice. É o maior tatu do mundo e um engenheiro da natureza: cava tocas de 5 metros onde vivem depois dezenas de outros bichos. Noturno, solitário, quase nunca visto. Vive no Cerrado, Pantanal e Amazônia. Come formiga, cupim e carniça. Vulnerável, sofre com caça e queimada.
- *Uacari-branco*: Macaco de 3kg com rosto vermelho-vivo pelado, parece que está com febre. Na verdade o vermelho mostra se ele está saudável. Pelo branco-amarelado e rabo curto. Vive só na Amazônia alagada (igapó) do Amazonas, nunca desce ao chão. Vive em bandos de 50 a 100. Come fruta verde que quase nenhum outro macaco consegue quebrar. Ameaçado pelo desmatamento da várzea.
- *Lobo-guará*: Perna fina e comprida, parece estar de perna de pau. Até 1,15m de altura e 30kg. Não é lobo, é o único do seu gênero no mundo. Vive no Cerrado. Solitário, monogâmico e de hábitos noturnos. Marca território com xixi que tem cheiro muito forte, apelidado de lobo-mau-cheiro. Come fruta, principalmente a lobeira, que tem o nome por causa dele. Quase ameaçado, atropelamento é a maior causa de morte.
- *Tamanduá-bandeira*: Inconfundível. Focinho em forma de tubo, rabo enorme com pelos que parecem uma bandeira, até 2,1 metros e 40kg. Não tem dentes. Língua de 60cm grudenta que entra e sai 150 vezes por minuto no formigueiro. Come até 30 mil formigas e cupins por dia. Anda devagar mas nada bem e dá um abraço forte com garras de 10cm se acuado. Vive do cerrado ao pampa. Vulnerável.
- *Jacaré-açu (Jacaré-preto)*: O rei dos rios da Amazônia. Preto quando adulto, olho verde. Chega a 6 metros e 400kg, o maior jacaré do Brasil. Predador de topo: come peixe, capivara, até onça se vacilar. A fêmea faz ninho de folhas e cuida dos filhotes por meses. Foi muito caçado por couro nos anos 70, hoje voltou bem, mas ainda sofre com conflito com pescador.
- *Onça-pintada*: Maior felino das Américas, até 135kg. Pintas em forma de roseta. Diferente do leopardo, é mais forte e atarracada. Tem a mordida mais potente entre todos os felinos, atravessa casco de tartaruga e crânio de jacaré. Onça que vive no Pantanal nada quilômetros. Solitária e territorial. Quase ameaçada. Só 10% da população original resta.
- *Saguí-imperador (Bigodeiro)*: Pesa 500 gramas e tem um bigode branco comprido que cai dos dois lados da boca, parece o imperador da Áustria. Existem dois tipos, o de bigode preto e o branco. Vive no Acre, Amazonas e Peru, na copa das árvores. Anda em grupos familiares onde só a fêmea dominante tem filhotes e todos ajudam a carregar. Muito inteligente, pula até 5 metros entre galhos.

FILMES DE ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 1, 2 E 3 COMPLETOS



1 - ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE (2012)


*Ficha Técnica:*
- *Título original:* Até Que a Sorte Nos Separe
- *Ano:* 2012
- *Estreia:* 5 de outubro de 2012
- *Direção:* Roberto Santucci
- *Roteiro:* Paulo Cursino e Angelica Lopes
- *Baseado em:* Livro _Casais Inteligentes Enriquecem Juntos_ de Gustavo Cerbasi
- *Gênero:* Comédia
- *Duração:* 104 minutos
- *País:* Brasil
- *Classificação:* 10 anos
- *Distribuição:* Paris Filmes / Downtown Filmes
- *Elenco principal:* Leandro Hassum (Tino), Danielle Winits (Jane), Kiko Mascarenhas (Amauri), Rita Elmôr (Laura), Aílton Graça (Adelson)
- *Orçamento:* R$ 6 milhões
- *Bilheteria:* 3.435.872 espectadores / US$ 16,9 milhões

*Sinopse:*
Tino é um pai de família comum que ganha R$ 100 milhões na Mega-Sena. Junto com a mulher Jane, passa a viver uma vida de luxo extremo, com mansão, carros importados e ostentação. 15 anos depois, com 3 filhos, todo o dinheiro acaba. Falido, ele tem que aceitar a ajuda do vizinho Amauri, um consultor financeiro super burocrático e pão-duro que vive crise no casamento. O problema: Jane está grávida do terceiro filho e não pode receber emoções fortes por ordem médica. Tino então faz de tudo para esconder a falência e manter a aparência de rico.

*Curiosidades:*
1. Foi o maior sucesso de bilheteria nacional de 2012.
2. É o filme que consolidou Leandro Hassum como protagonista de cinema depois de anos na TV.
3. A história ensina as 5 Regras da Riqueza do livro de Cerbasi: planejamento, organização, equilíbrio, segurança e investimento.
4. Foi o primeiro filme brasileiro a falar abertamente de educação financeira de forma cômica.

2 - ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2 (2013)

*Ficha Técnica:*
- *Título:* Até Que a Sorte Nos Separe 2
- *Ano:* 2013
- *Estreia:* 27 de dezembro de 2013
- *Direção:* Roberto Santucci
- *Roteiro:* Paulo Cursino e Chico Soares
- *Gênero:* Comédia
- *Duração:* 100 minutos
- *País:* Brasil
- *Classificação:* 10 anos
- *Elenco principal:* Leandro Hassum (Tino), Camila Morgado (Jane), Kiko Mascarenhas (Amauri), Rita Elmôr (Laura), Julia Dalavia (Teté), Henry Fiuka (Juninho), Arlete Salles (Estela), Rodrigo Sant'Anna, Charles Paraventi
- *Participações especiais:* Jerry Lewis, Anderson Silva, Berta Loran, Marcius Melhem
- *Bilheteria:* 3.988.606 espectadores - o maior da trilogia

*Sinopse:*
Três anos depois, Tino e Jane estão quebrados de novo. A salvação vem com a morte do tio Olavinho, que deixa R$ 100 milhões de herança para Jane e sua mãe Estela. O último desejo do tio: que suas cinzas sejam jogadas no Grand Canyon. A família viaja para Las Vegas para cumprir o pedido. Lá, Tino se empolga no cassino e perde todo o dinheiro da herança de Jane em uma mesa de pôquer. Ainda fica devendo US$ 10 milhões para a máfia mexicana e precisa fugir e arrumar o dinheiro a qualquer custo.

*Curiosidades:*
1. Troca de atriz: Jane que era Danielle Winits no primeiro filme passou a ser Camila Morgado, porque Danielle estava gravando a novela Amor à Vida.
2. Teve o maior lançamento da história do cinema nacional na época: 734 salas no primeiro fim de semana, batendo o recorde de De Pernas Pro Ar 2.
3. Foi gravado no Rio de Janeiro e em Las Vegas.
4. Conta com a última participação em cinema do lendário comediante americano Jerry Lewis, como mensageiro do hotel.
5. O lutador Anderson Silva faz uma participação como segurança do cassino.

3 - ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 3: A FALÊNCIA FINAL (2015)

*Ficha Técnica:*
- *Título:* Até Que a Sorte Nos Separe 3: A Falência Final
- *Ano:* 2015
- *Estreia:* 24 de dezembro de 2015
- *Direção:* Roberto Santucci e Marcelo Antunez
- *Roteiro:* Paulo Cursino, Léo Luz e Gustavo Cerbasi
- *Gênero:* Comédia
- *Duração:* 100 minutos
- *País:* Brasil
- *Classificação:* 10 anos
- *Elenco principal:* Leandro Hassum (Tino), Camila Morgado (Jane), Julia Dalavia (Teté), Bruno Gissoni (André), Kiko Mascarenhas, Emanuelle Araújo, Julia Dalavia, Leonardo Franco, Sylvia Pfeifer
- *Orçamento:* R$ 8 milhões
- *Bilheteria:* 3.330.082 espectadores / R$ 39,2 milhões

*Sinopse:*
Depois de perder a herança em Las Vegas, Tino tenta um emprego fixo mas não consegue se segurar em nenhum. Um dia é atropelado pelo filho do homem mais rico do Brasil. Após ficar 7 meses em coma, acorda e descobre que sua filha Teté está apaixonada justamente pelo rapaz que o atropelou. Ele é convidado para administrar a empresa do futuro sogro bilionário para conseguir dinheiro para o casamento. Sem noção de gestão, Tino consegue o inimaginável: falir a maior empresa do país, causando um colapso na economia nacional.

*Curiosidades:*
1. A trilogia inteira somou 10.754.560 espectadores nos cinemas, uma das 3 maiores franquias do cinema brasileiro.
2. O filme foi lançado durante a crise econômica brasileira de 2014/2015 e a história brinca justamente com falência de grande empresa.
3. Foi o primeiro filme de Leandro Hassum após a cirurgia bariátrica e grande perda de peso, muito comentado na época.
4. Foi indicado ao prêmio de Melhor Montagem da Associação Brasileira de Cinematografia.
5. Fecha o ciclo da família Peixoto mostrando a inversão: Tino começa rico e termina precisando trabalhar de verdade.













CORDEL DO CORONELISMO DA EMOÇÃO


O CORONELISMO DA EMOÇÃO

No sertão da política
Surgiu novo coronel,
Não tem terra, não tem gado,
Não usa chicote cruel,
Mora dentro do peito,
No coração do fiel.

Antigamente era o voto
Na marra, de cabresto,
O coronel mandava,
Era tudo indigesto,
Hoje o povo se amarra
E acha que é honesto.

Botaram no jumento
Uma olheira de paixão,
Ele só vê pra frente,
Não olha pro sertão,
Só enxerga o seu lado,
O resto é confusão.

Se apaixonou pelo homem,
Perdeu logo a razão,
Quem eu amo é perfeito,
É santo, é oração,
Quem eu não amo é diabo,
Não presta, não.

A família do meu lado,
Ah, que família bela!
Ninguém erra, ninguém rouba,
Todo mundo é sentinela,
Deus abençoa todos,
Da mãe até a donzela.

E se a justiça mostra,
Se prova no papel,
O amor grita mais alto:
"Isso é intriga cruel!
É fake news, é inveja,
Do inimigo infiel!"

E o outro faz o mesmo,
Com a mesma devoção,
Defende sua família,
Com a mesma paixão,
Dois lados no espelho,
Na mesma oração.

É o fã-clube virando
Partido e nação,
É a camisa de time
No lugar da razão,
E o Brasil no meio
Pedindo atenção.

Mas me diga, meu povo,
Onde vamos parar,
Se ninguém mais escuta,
Se ninguém quer olhar,
Se o defeito do meu
Eu não quero enxergar?

Eu volto pra peleja
Com verso e com razão,
Pra falar do cabresto
Que mora na emoção,
Que o cordealista cantou
Com o olho do coração.

No tempo do meu avô
O coronel era visível,
Tinha terra, tinha gado,
Tinha capanga temível,
O voto era na marra,
Era tudo impossível.

Hoje o coronel mudou
De endereço e de nome,
Não mora mais na fazenda,
Mora no telefone,
No algoritmo que te cerca
E da razão te consome.

Ele não te obriga,
Ele te faz gostar,
Só te mostra um lado,
Pra você se apaixonar,
Você acha que escolhe,
Mas tá só a obedecer e amar.

É o cabresto invisível,
A razão  falou bonito,
Pior que o de couro,
Porque é mais esquisito,
Você acha que é livre,
Mas tá preso e aflito.

Antigamente era partido,
Era convicção,
Eu sou trabalhista,
Com orgulho e paixão,
Hoje acabou partido,
Virou só adoração.

Virou torcida de time,
Flamengo contra Vasco,
Não discute mais ideia,
É xingamento no frasco,
Quem pensa diferente
Já leva logo um cascão.

Botaram no jumento
A olheira pra cegar,
Ele só olha pra frente,
Não pode enxergar,
Tem medo de ver o mundo,
Prefere só marchar.

Tira a olheira, meu povo,
Que o susto é grande demais,
Vai ver que o outro lado
Também tem seus bons rapaz,
Que ninguém é só demônio,
Nem só anjo de paz.

É a virtude seletiva,
A balança de dois pesos,
Se é do meu, eu perdoo,
Acho todos os apreços,
Se é do outro, eu condeno,
Quero ver tudo preso.

Se o meu rouba um pouquinho,
Eu digo: "Fez muito mais",
Se o outro faz o mesmo,
Eu grito: "Prende, rapaz!",
É a mesma medida
Com olhares desiguais.

E aquela barricada
Que a justiça citou,
O povo apaixonado
Nem sequer perguntou,
De onde vem o dinheiro,
Quem é que financiou?

É igual namoro cego,
De moça iludida,
Ganha presente caro,
Fica toda vaída,
Não pergunta de onde vem,
Depois fica ferida.

Na política é igual,
Promessa bonita demais,
"Vou acabar com tudo",
O povo grita: "Capaz!",
Ninguém pergunta como,
Depois chora atrás.

E quem tenta ser meio,
Como a razão faz,
Apanha dos dois lados,
Não tem nunca paz,
Se fala de um, é do outro,
Se cala, é incapaz.

O centro virou traidor,
Ninguém quer escutar,
Quem pondera é chamado
De em cima do muro a estar,
Mas é no meio que o Brasil
Podia se encontrar.

Já faz oito, dez anos
No mesmo cordão,
Dois nomes brigando
No nosso sertão,
Enquanto o país todo
Fica sem direção.

Ninguém discute escola,
Ninguém fala do pão,
Do posto de saúde,
Da nossa educação,
Só discute quem é preso,
Quem é ladrão.

E tem o capitalismo
De ideia que a justiça falou,
Tem gente ganhando dinheiro
Com o ódio que plantou,
Quanto mais raiva você tem,
Mais clique ele lucrou.

Youtuber ganha com raiva,
Político com rancor,
Blog ganha com briga,
Com mentira e com dor,
A paz não dá dinheiro,
Só dá o desamor.

Por isso eu digo, povo,
Vamos tirar a olheira,
Abrir bem os olhos,
Tirar essa poeira,
Votar com a cabeça,
Não de forma brejeira.

Não existe santo
Em cima de palanque, não,
Existe interesse,
Existe ambição,
Seu voto é sua arma,
Não dê de coração.

Vote perguntando como,
Vote perguntando quando,
Pergunte com que dinheiro,
Pergunte com quem contando,
Não seja jumento cego
Que só vive marchando.

O coronel antigo
Morreu, virou chão,
Mas nasceu outro agora
Dentro da emoção,
Vamos enterrar esse também
Com estudo e reflexão.

Que o Brasil não seja
De um só patrão,
Que seja de ideias,
De prosa e de pão,
Sem burro de olheira,
Sem cabresto, meu irmão!

É tirar a olheira
Que cega o jumento,
É abrir a porteira
Do pensamento,
Escutar o contrário
Sem ressentimento.

É lembrar que na praça
Todo mundo quer ganhar,
Todo discurso bonito
Tem conta pra pagar,
Tem capitalismo de ideia,
Querendo te abraçar.

Não existe santo
Em palanque, meu irmão,
Existe interesse,
Existe ambição,
O seu voto é valioso,
Não dê de coração.

Vote com prudência,
Com coerência também,
Pergunte como faz,
Pergunte com quem,
Tire o amor do meio,
Pense no além.

O coronel antigo
Morreu no sertão,
Mas nasceu outro agora
Dentro da emoção,
Vamos enterrar esse também,
Com voto e reflexão.

Que o Brasil não seja
De um só cordão,
Que seja de ideias,
De pão e de chão,
Sem burro de olheira,
Sem cabresto e sem paixão.