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28 de outubro de 2026

Á HiSTORIA DA MUSICA CONSTRUÇÃO DE CHICO BUARQUE




CONSTRUÇÃO  - A OBRA PRIMA DE CHICO  BUARQUE 

a Construção foi lançada em 1971, faixa título do álbum _Construção_, considerado até hoje o disco mais importante da carreira de Chico Buarque e um dos 3 maiores discos da MPB.

Ela não nasceu do nada. Ela nasceu entre dois mundos.

Chico tinha acabado de voltar de um autoexílio na Itália. Ele foi pra lá no começo de 1969, fugindo do sufoco que ficou depois do AI-5 em 1968. Ele tinha sido perseguido, sua peça Roda Viva tinha sido censurada e depredada, ele estava na mira.

Ele volta pro Brasil em março de 1970, e o que ele encontra aqui é o Brasil do general Médici: o período mais duro da ditadura. Por fora, o tal "Milagre Brasileiro", Brasil tricampeão do mundo, slogan "Ame-o ou Deixe-o". Por dentro, censura, prisão, tortura, gente desaparecendo.

Chico estava sufocado e precisou inventar um jeito novo de falar. Ele mesmo chegou a usar o pseudônimo Julinho da Adelaide pra tentar passar pela censura.

*2. Qual foi a causa, a inspiração*

O próprio Chico contava duas inspirações diferentes, e as duas se juntam.

A primeira foi uma notícia de jornal. Um operário da construção civil caiu de um prédio e morreu. A morte foi tratada como um transtorno no trânsito. "Atrapalhou o tráfego". Aquilo revoltou o Chico. Ele viu ali a desumanização total do trabalhador.

A segunda foi musical e poética. Chico queria fazer uma música que fosse ela mesma uma construção. Que nem um prédio que sobe tijolo por tijolo.

Por isso ele criou uma engenharia absurda na letra:

- São 17 versos, todos em dodecassílabos, 12 sílabas poéticas, igual aos clássicos.
- Todos terminam em palavra proparoxítona: mágico, máquina, lógica, pássaro, bêbado, etc.
- A história é contada 3 vezes, com os mesmos 16 primeiros versos mudando SÓ a última palavra. Como se fossem 3 blocos que vão subindo.
- No primeiro bloco ele beijou a família e foi pro trabalho.
- No segundo bloco ele trabalhou como uma máquina.
- No terceiro bloco ele morreu como se fosse um pássaro, e atrapalhou o trânsito, o público, o sábado.

É uma estrutura circular. Você sobe e despenca.

O arranjo ficou com o maestro Rogério Duprat, da Tropicália, e a produção com Roberto Menescal. A base harmônica é super simples, dois acordes que ficam repetindo, mas a orquestra vai crescendo em cima, vai ficando cada vez mais densa, mais sufocante, até o final trágico. Quem canta o coro com ele é o MPB-4.

*3. As dificuldades com a censura*

O mais curioso: Construção PASSOU pela censura.

Enquanto Deus Lhe Pague, do mesmo disco, foi vetada, e Samba de Orly foi parcialmente censurada, Construção passou limpa. Os censores não entenderam a crítica. Eles acharam que era só uma música sobre um pedreiro. A linguagem tão rebuscada, cheia de metáforas e proparoxítonas, confundiu os militares. Foi a inteligência do Chico vencendo a tesoura.

*4. As curiosidades que você pode usar na redação*

- *Pedro Pedreiro:* Construção é irmã de Pedro Pedreiro, de 1965. As duas falam do mesmo trabalhador. Pedro Pedreiro esperava a sorte voltar. O da Construção já não espera mais, ele vira engrenagem e morre.
- *Eleita a maior de todos os tempos:* Em 2009 a Revista Rolling Stone Brasil elegeu Construção como a MAIOR CANÇÃO BRASILEIRA DE TODOS OS TEMPOS. Em 2001, a Folha de S. Paulo já tinha eleito como a 2ª maior, só atrás de Águas de Março.
- *Olimpíada de 2016:* Ela foi tocada na abertura das Olimpíadas do Rio, no seu Rio de Janeiro, quando mostraram os prédios subindo. O mundo inteiro ouviu.
- *O que Chico diz:* Quando perguntam o que a música significa, Chico sempre responde que o foco dele não era a crítica social, e sim o jogo de montar. Ele disse que queria fazer uma música que fosse construída como se constrói uma casa. A crítica veio junto, mas a obsessão dele era formal, matemática.
- *6 minutos e 24 segundos:* Pra época, uma música desse tamanho não tocava em rádio. Mesmo assim virou sucesso absoluto.

No fundo, Construção é o retrato mais doloroso que a gente tem da relação entre capital e trabalho no Brasil. O operário amou como se foss⁴e máquina, trabalhou como se fosse máquina, morreu como se fosse bêbado e, no fim, não era ninguém. Só atrapalhou o tráfego.


VIDEO E LETRA






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