CORDEL DO TEIXEIRINHA
*CORDEL DO TEIXEIRINHA - O GAÚCHO CORAÇÃO DO RIO GRANDE*
Vou contar num cordel
a história verdadeira,
de Vitor Mateus Teixeira,
o Teixeirinha da fronteira,
que nasceu lá em Rolante
de vida tão passageira.
Menino ficou órfão,
perdeu sua mãe querida,
foi engraxate na rua,
verdureiro da lida,
mas trazia na garganta
a canção mais sofrida.
Essa canção foi “Luto”,
Coração de Luto a chorar,
contando sua história
que fez o Brasil cantar,
foi disco de ouro puro,
ninguém pôde segurar. 0afc
Em 1960 ele gravou,
O Gaúcho Coração,
do Rio Grande amado,
levando a tradição,
de bombacha e de espora,
com orgulho e paixão.
Conheceu Mary Terezinha
numa Rádio Bagé,
ela tinha treze anos,
mas tocava que nem ninguém,
a menina da gaita,
que sabia tocar bem. fad3
Chamaram de Teixeirinha de Saias,
a guria se afirmou,
virou parceira de palco,
o amor ali brotou,
vinte e dois anos juntos,
uma dupla que brilhou. 0afc
Mary tocava acordeon,
ele cantava com fervor,
cantavam trova a trova,
desafio de amor,
“Desafio pra Valer”
foi o primeiro clamor.
Do palco foram pro cinema,
que coisa mais bonita,
Teixeirinha escreveu
sua vida tão aflita,
e nasceu o primeiro filme,
Coração de Luto, fita.
Depois veio o segundo,
Motorista Sem Limites,
o gaúcho na estrada,
sem medo dos convites,
mostrando ao Brasil inteiro
seus talentos infinitos. fad3
Fundou sua produtora
em mil novecentos e setenta,
Teixeirinha Produções,
que nunca se aposenta,
e fez dez filmes de uma vez,
com a alma bem atenta. fad3
Olha a lista que eu trago,
pra ninguém esquecer:
Ela Tornou-se Freira,
Sete Provas pra vencer,
Pobre João sofrendo,
Perna Dura pra prender.
Carmen a Cigana veio,
Gaúcho de Passo Fundo,
Meu Pobre Coração de Luto,
Na Trilha da Justiça no mundo,
Tropeiro Velho na estrada,
Filha de Iemanjá no fundo. b18b
Doze filmes ao todo,
sempre com Mary ao lado,
ela protagonista,
de vestido bem bordado,
ele de bombacha larga,
chapéu bem abaixado.
Porque ser gaúcho pra ele
não era só cantoria,
era usar a bombacha,
era ter na moradia
o chimarrão bem cevado
e a gaita em harmonia.
Era falar de Passo Fundo,
de trigal amarelando,
da Semana Farroupilha,
o povo se abraçando,
do cavalo, da espora,
do Rio Grande cantando.
Teixeirinha e Mary
tiveram dois pimpolhos,
Alexandre e Liane,
seus maiores orgulhos,
frutos daquele amor
que nasceu nos barulhos. a4ea
Mas a vida tem espinho
no meio da roseira,
em janeiro de oitenta e quatro
Mary deixou a poeira,
deixou um bilhete curto:
"Não me farei mais presente". a4ea
Foi-se embora com os filhos,
o gaúcho entristeceu,
sofreu do coração,
o infarto aconteceu,
mas cantou até o fim,
que o povo não esqueceu.
Morreu em oitenta e cinco,
em Porto Alegre, capital,
mas ficou Rei do Disco,
o maior sem igual,
com mil e duzentas músicas,
um tesouro sem final. 0afc
Hoje quem ouve Teixeirinha
ouve o Rio Grande inteiro,
ouve a bombacha rangendo,
o campo e o trigueiro,
ouve Mary na gaita
e o gaúcho verdadeiro.
Por isso botei no blog,
OUVIR E VER pra lembrar,
que filme de Teixeirinha
é bom de se guardar,
é cultura do nosso povo
que não pode se acabar.
Viva Teixeirinha,
viva Mary Terezinha,
viva a gaita gaúcha
que nunca fica sozinha,
viva o povo de bombacha,
dessa pátria gauchinha!


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