JUDAS TADEU E SUA HISTÓRIA
*SÃO JUDAS TADEU - POR QUE O BRASIL TODO PEDE PRA ELE, ATÉ QUEM NÃO É CATÓLICO*
Tem santo que a gente reza só na igreja. E tem santo que o povo levou pra rua, pro ônibus lotado, pro campo de futebol, pro boteco antes do jogo. São Judas Tadeu é esse segundo.
O nome dele mesmo era Judas Tadeu, pra não confundir com Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus. Por causa desse outro Judas, por muitos séculos ninguém queria rezar pra ele. O nome ficou queimado. Ele ficou no canto, esquecido. E é justamente por ter ficado esquecido que ele virou o santo das causas impossíveis. O raciocínio do povo é simples e bonito: se todo mundo esqueceu dele, ele não esquece de ninguém. Quem está no último lugar da fila, quem já tentou tudo e não deu certo, lembra dele.
Judas Tadeu era primo de Jesus, um dos doze apóstolos, um homem simples que andou pela Galileia vendo gente sofrendo. Ele morreu longe de casa, na Pérsia, porque não quis negar o que acreditava. Morreu martirizado, com um pedaço de pau chamado clava. Por isso nas imagens ele aparece segurando esse porrete e com uma medalhinha no peito com o rosto de Jesus. Diz a história que ele carregava essa imagem.
E por que ele é tão grande no Brasil?
O Brasil é um país de causa impossível todo dia. É a mãe que precisa de remédio pro filho e não tem dinheiro, é o rapaz que fez concurso dez vezes e não passou, é o time que está perdendo de 2 a 0 e precisa virar. O brasileiro não gosta de santo que só ajuda em coisa fácil. Ele quer santo que aguenta tranco. Judas Tadeu virou esse cara. Não é santo de luxo, é santo de batalha.
A devoção explodiu nos anos 50 e 60 em São Paulo, na Igreja de São Judas na Vila Guarani. O padre Donizetti começou a fazer novena na quinta-feira. No começo vinham 20 pessoas. Depois 200. Depois não cabia mais gente na rua. O povo começou a pagar promessa de joelho, de pé descalço, carregando foto de parente doente. E o boca a boca fez o resto. Quem alcançava uma graça voltava com mais três. Hoje, dia 28 de cada mês, aquela igreja recebe mais de 100 mil pessoas. E no dia 28 de outubro, dia dele, passa de 400 mil. É gente que não cabe na igreja, fica na rua rezando junto. Muita gente que vai ali nem vai à missa todo domingo. Vai porque um dia precisou e foi atendido.
E o Flamengo?
Essa é a parte que pouca gente sabe direito. Perto da Gávea, onde o Flamengo treina, tem uma igrejinha pequena, a Igreja de São Judas Tadeu do Cosme Velho, no Rio. Nos anos 60 e 70, os jogadores do Flamengo passavam por ali antes de jogo importante. Era caminho. Um dia o pessoal da torcida começou a ir junto. Começaram a prometer: se o Flamengo ganhar, eu acendo vela pro São Judas. E o Flamengo começou a ganhar muito naquela época. O povo juntou uma coisa com a outra.
Teve outra coisa também. Em 1969, o Flamengo estava numa fila enorme sem ganhar nada. A torcida estava desesperada. Foi considerada causa impossível. Aí alguém falou: chama o São Judas, que ele é das causas impossíveis. E pegou. O Flamengo adotou São Judas como seu protetor não oficial. Não é oficial do clube, o clube nunca decretou, foi a torcida que decretou. Até hoje, quando o time está perdendo e vira, o flamenguista fala: foi São Judas. Quando tem jogo decisivo dia 28 de outubro, a torcida lota a igreja de manhã e o Maracanã à tarde. É fé misturada com paixão por futebol, que no Brasil é quase a mesma coisa.
Por que dia 28 de outubro?
Não foi o Brasil que escolheu. É a data da Igreja Católica no mundo todo. Dia 28 de outubro é o dia que morreram, juntos, São Simão e São Judas Tadeu. Eles pregavam juntos. Por isso a festa é dos dois. Mas no Brasil, o Judas roubou a cena, porque Simão não ficou com a fama de causas impossíveis. Então dia 28 virou dia dele. E caiu num mês que já é cheio de esperança pro brasileiro, fim de ano chegando, gente querendo fechar o ano bem. Combina.
Se você não é católico, como entender São Judas?
Pensa nele não como um santo de gesso, mas como um símbolo que o povo brasileiro criou pra dizer: não desiste. Quando tudo parece perdido, ainda tem uma última porta. O brasileiro chama essa última porta de São Judas. Pode ser que você chame de sorte, de força, de universo, de esperança. O nome muda, a necessidade humana é a mesma. Todo mundo já teve um dia que pensou: só um milagre. No Brasil, esse milagre tem nome e tem dia: 28 de outubro.
Por isso hoje, mesmo quem não reza, respeita. Porque no ônibus, no trem de Nova Iguaçu pra Central, você vai ver alguém com a medalhinha dele no pescoço. Não é pra mostrar religião. É pra dizer: eu ainda estou tentando. E enquanto tenta, tem fé.
*QUEM FOI JUDAS TADEU NA BÍBLIA? O APÓSTOLO ESQUECIDO POR CAUSA DO NOME*
Muita gente confunde, então vamos direto ao ponto: existem dois Judas entre os 12 apóstolos de Jesus.
1. Judas Iscariotes - aquele que traiu Jesus.
2. Judas Tadeu - fiel até a morte.
É por causa do primeiro que o segundo foi esquecido por muito tempo. Ninguém queria ter o nome de traidor. Mas a Bíblia faz questão de separar os dois.
*Quem foi ele na Bíblia?*
O nome dele aparece de 3 jeitos diferentes na Bíblia, mas é a mesma pessoa:
- Em Mateus 10:3 e Marcos 3:18 ele é chamado de *Tadeu*
- Em Lucas 6:16 e Atos 1:13 ele é chamado de *Judas, filho de Tiago* ou *irmão de Tiago*
- Em João 14:22 a Bíblia faz questão de dizer: *"Judas, não o Iscariotes"*
Ele também era parente de Jesus. Mateus 13:55 diz que Jesus tinha irmãos, e um deles se chamava Judas. Não é irmão carnal, é primo, da mesma família de José.
Foi ele que fez uma pergunta muito importante na Última Ceia. Enquanto Jesus falava, ele perguntou em João 14:22: "Senhor, por que você vai se revelar a nós e não ao mundo?" Jesus respondeu que se revela a quem guarda a palavra. Essa pergunta mostra que ele estava preocupado com a evangelização do mundo todo, não só com Israel.
*O que ele escreveu?*
Ele escreveu a carta de Judas, a penúltima carta da Bíblia, antes de Apocalipse. É uma carta curtinha, de um capítulo só. E qual é o tema da carta? Defesa da fé.
Judas 1:3 ele diz: "Batalhem pela fé que foi entregue aos santos de uma vez por todas".
Ou seja, ele foi o apóstolo que alertou a igreja primitiva contra falsos ensinamentos. Pra quem é evangélico, essa é a importância dele: ele é o exemplo de homem que não vendeu a fé, que ficou firme.
*O que aconteceu com ele depois?*
A Bíblia não conta, mas a história da igreja registra que ele saiu para evangelizar. Ele foi para a Mesopotâmia e para a Pérsia, onde hoje é o Irã, pregando o evangelho onde ninguém conhecia Jesus. Morreu lá, martirizado, porque não negou Cristo.
*Por que resgatar a história dele hoje?*
Porque hoje tem muito "Judas Iscariotes" por aí - gente que troca Jesus por dinheiro, por fama, por cargo. E tem pouco "Judas Tadeu" - gente fiel no anonimato, que segura a fé mesmo quando o nome está sujo por causa dos outros.
O exemplo dele serve pra todo cristão: não importa se seu nome, sua família ou sua igreja está sendo confundida com gente que traiu o evangelho. Deus conhece quem é fiel até o fim.
Ele não é intercessor, não é despachante de milagre. Ele foi um homem, pecador salvo pela graça, que cumpriu a missão que Jesus deu: ir e fazer discípulos.
E cumpriu.


0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial