CORDEL A MORTE É CERTA AMIGO
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*A MORTE É CERTA AMIGO
A morte é certa amigo
Ela não escolhe hora
Um dia a gente ri
Outro dia a gente chora
Então curta seu divã
vivendo cada amanhã
Como se fosse agora.
Ela não avisa nada
Não manda carta nem recado
Não quer saber se é rico
Se é pobre, forte ou franzino
Leva o doutor da cidade
E leva o cabra da roça
No mesmo passo do destino.
Hoje você tá aqui
Contando piada e prosa
Amanhã é só lembrança
Num retrato na parede
Por isso abrace mais forte
Diga o que sente agora
Que a vida é sopro e passa
Que nem vento que sucede.
Não guarde mágoa no peito
Que mágoa vira veneno
Perdoe quem te feriu
Que o perdão é sereno
A vida é muito curta
Pra viver de cara feia
Quem guarda ódio no peito
É quem mais se enveneneia.
Curta seu filho, seu pai
Sua mãe, sua companheira
Tome um café demorado
Na calçada, na biqueira
Converse com seu vizinho
Dê bom dia na poeira
Que no fim o que fica
É o amor de primeira.
Um dia a gente ri, é
Outro chora de saudade
Um dia a gente tem tudo
Outro pede caridade
Por isso viva o hoje
Sem medo da vaidade
Que o amanhã é mistério
E o hoje é realidade.
Então meu amigo escute
Esse verso de cordel
Não deixe pra depois
O abraço, o carinho, o mel
Viva cada amanhã
Como se fosse no céu
Pois a morte é certa, sim
Mas a vida é de papel
Que a gente escreve agora
Com tinta de pincel.

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