CORDEL DO DIA DO SACI
CORDEL DO FOLCLORE BRASILEIRO - O BRASIL QUE O POVO CONTOU
Vou contar num cordel ligeiro
A história do nosso folclore,
Que nasceu no Brasil inteiro
Com o cheiro do interior,
É a alma do brasileiro
Contada com muito amor.
Folclore vem de folk e lore,
Palavra do estrangeiro,
Folk é povo, lore é saber,
Disse o inglês primeiro,
Mas no Brasil virou viver
Do nosso povo festeiro.
Foi no dia vinte e dois
De agosto que marcaram,
Dezenove e sessenta e cinco
A data oficializaram,
Pra lembrar nossa cultura
Que os antigos nos deixaram.
Mas hoje trinta e um de outubro
Também é comemoração,
É o Dia do Saci-Pererê
Símbolo da nossa nação,
Botaram no mesmo dia
Da bruxa e do assombrão.
Pra valorizar o que é nosso
E não só o que vem de fora,
A gente tem Saci e Cuca
Que o gringo não bota à prova,
Nosso terror é brasileiro
E o nosso povo adora.
Agora vou apresentar
Os personagens principais,
Que moram no nosso mato,
Nos rios e nos quintais,
Cada um com seu mistério
E seus poderes naturais.
O Saci é o mais famoso,
Menino de uma perna só,
De gorro vermelho na cabeça,
Vive aprontando no pó,
Fuma cachimbo e some
Num redemoinho de cipó.
Tem o Curupira ligeiro,
Cabelo de fogo a brilhar,
Pés virados pra trás
Pra ninguém conseguir achar,
Protetor da nossa mata
Que vive a nos guardar.
A Iara mora nas águas,
Sereia de encantar,
Cabelo preto, canto lindo,
Que faz o homem sonhar,
Leva pro fundo do rio
Quem tentar se aproximar.
Boitatá é cobra de fogo
Que brilha no escuridão,
Protege o campo e a mata
Com fogo no coração,
Quem bota fogo na floresta
Sente a sua aflição.
Tem o Boto cor-de-rosa
Que vira rapaz bonito,
Na festa de São João
Ele aparece no esquisito,
De chapéu pra esconder o furo
E encantar com seu rito.
A Cuca é velha feia
Que rouba menino que não dorme,
Mula-sem-cabeça corre
Soltando fogo enorme,
Lobisomem na lua cheia
Deixa o povo disforme.
Tem Negrinho do Pastoreio
Que ajuda a quem perdeu,
Boi Bumbá que morre e vive,
Festa que o povo ergueu,
E o Mapinguari gigante
Que no norte apareceu.
Mas o folclore não é só lenda
De assombração e mistério,
É também o que comemos,
O que dançamos no império,
É o frevo, o maracatu,
O cordel e o refrão sério.
Agora falo dos homens
Que botaram no papel,
Que não deixaram morrer
Esse tesouro tão fiel,
Foram os guardiões da história
Como abelha guarda o mel.
Câmara Cascudo primeiro,
Potiguar de grande valor,
Escreveu o Dicionário
Do folclore com amor,
Viajou o Brasil inteiro
Sendo o maior pesquisador.
Monteiro Lobato veio
Com seu Sítio do Picapau,
Botou Saci, Cuca e tudo
Numa história sem final,
Fez a criança brasileira
Amar o nosso quintal.
Mário de Andrade também,
Com Macunaíma escreveu,
Retratou o povo brasileiro
Do jeito que ele entendeu,
Misturou lenda e malandragem
Como ninguém mais fez, meu.
Mário e Câmara Cascudo,
Silvio Romero também,
Cecília Meireles, poetas,
Que não deixaram ninguém
Esquecer da nossa raiz,
Do nosso maior bem.
Por isso hoje, Dia do Saci,
Eu faço essa oração,
Vamos contar pros netos
A história da nossa nação,
Que folclore não é atraso,
É riqueza e fundação.
Viva o Saci-Pererê!
Viva o Curupira também!
Viva a Iara e o Boto!
Viva o nosso povo, amém!
Viva o folclore brasileiro
Que não morre pra ninguém!






0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial