HOMENAGEM AO DIA MUNDIAL DO LIVRO
*DIA NACIONAL DO LIVRO - 29 DE OUTUBRO - A HISTÓRIA QUE MORA DENTRO DOS LIVROS*
Hoje, 29 de outubro, o Brasil comemora o Dia Nacional do Livro.
A data não foi escolhida por acaso. Foi neste dia, em 1810, que o Príncipe Regente D. João assinou o decreto de fundação da Biblioteca Nacional. Era a primeira biblioteca oficial do país. E a história de como ela nasceu já é um livro à parte.
Quando a Família Real portuguesa fugiu de Napoleão e chegou ao Rio de Janeiro em 1808, trouxe nos porões dos navios um tesouro de 60 mil peças: livros, manuscritos, mapas, estampas e moedas da Real Biblioteca de Lisboa. Uma biblioteca que tinha sido reconstruída depois do grande terremoto de Lisboa de 1755.
No Rio, não havia onde guardar tudo aquilo. O primeiro endereço foi improvisado e quase inacreditável: uma sala que servia de catacumba para os religiosos do Carmo, no Hospital da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, que hoje é a Rua Primeiro de Março. Foi ali, entre paredes úmidas, que o Brasil começou a ter acesso aos livros. Só em 1814 ela foi aberta ao público.
Em 1821, quando D. João VI voltou para Portugal, tentou levar o acervo de volta. O Brasil só conseguiu ficar com a biblioteca pagando uma indenização de 800 contos de réis, prevista no tratado de Independência. Compramos nossos próprios livros para não ficar sem eles.
A Biblioteca mudou de casa duas vezes. Em 1858 foi para a Rua do Passeio, nº 60, no Largo da Lapa, onde hoje funciona a Escola de Música da UFRJ. E finalmente ganhou sua casa definitiva. O prédio que todos conhecem na Avenida Rio Branco, nº 219, na Cinelândia, teve sua pedra fundamental lançada em 15 de agosto de 1905 e foi inaugurado exatamente no dia do seu centenário, em 29 de outubro de 1910. Hoje é a maior biblioteca da América Latina e a sétima maior do mundo, com quase 10 milhões de itens guardando cinco séculos da nossa memória.
Mas a história do livro no Brasil não mora só ali.
*AS MAIORES BIBLIOTECAS QUE GUARDAM O BRASIL*
Ao lado da Nacional, o Rio guarda um dos lugares mais bonitos do mundo para se ler. O Real Gabinete Português de Leitura, na Rua Luís de Camões, nº 30, no Centro, atrás do Teatro João Caetano. Fundado em 14 de maio de 1837 por 43 imigrantes portugueses exilados, começou numa pequena sala na Rua São Pedro. O prédio atual, em estilo neomanuelino, todo em pedra de lioz trazida de Lisboa, foi inaugurado pela Princesa Isabel em 10 de setembro de 1887. Tem 350 mil obras, a primeira edição de Os Lusíadas de 1572, manuscritos originais, e foi eleito pela revista Time como a quarta biblioteca mais bonita do mundo.
Em São Paulo, a gigante é a Biblioteca Mário de Andrade, na Rua da Consolação. Fundada em 1925, é a segunda maior biblioteca pública do país, com mais de 3 milhões de títulos. Foi o primeiro grande projeto de democratização da leitura no Brasil moderno.
E a rede continua: a Biblioteca Pública do Estado da Bahia, fundada em 1811, a mais antiga biblioteca pública do Brasil ainda em funcionamento. A Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Minas. Cada uma guardando um pedaço do que somos.
*QUAL FOI O PRIMEIRO LIVRO EDITADO NO BRASIL?*
Por mais de 300 anos, Portugal proibiu que se imprimisse qualquer coisa no Brasil. Tinha medo que as ideias de independência se espalhassem. Quem quisesse um livro tinha que mandar imprimir em Lisboa.
Isso só acabou em 13 de maio de 1808, quando D. João criou a Impressão Régia, a primeira editora oficial do país, instalada na Rua do Passeio. Foi ali que nasceu a imprensa brasileira.
O primeiro livro impresso no Brasil foi *"Marília de Dirceu"*, de Tomás Antônio Gonzaga, em 1808. Uma segunda edição do seu clássico da Inconfidência Mineira. Logo depois veio o primeiro jornal, a Gazeta do Rio de Janeiro.
Depois da Impressão Régia, vieram as editoras que formaram o leitor brasileiro. A Livraria Garnier, do francês Baptiste-Louis Garnier, que chegou em 1844 e lançou Machado de Assis, José de Alencar. A Livraria Laemmert, de dois irmãos alemães. A Francisco Alves, fundada em 1854, que foi a maior editora do país por quase um século.
*A HOMENAGEM AO LIVRO*
O livro é o único objeto que a gente pode abrir e entrar dentro dele. Ele sobreviveu à catacumba, à censura, ao fogo, à mudança de capital, à falta de dinheiro e à internet.
No Dia Nacional do Livro, a homenagem não é só à Biblioteca Nacional. É ao objeto livro em si. Ao cheiro da tinta, ao peso na mão, à dedicatória escrita à caneta na primeira página, à orelha amassada de tanto levar na bolsa.
Num país que por 300 anos foi proibido de imprimir, ter um livro nas mãos é um ato de liberdade. Ler é continuar aquela travessia que começou lá em 1808, quando finalmente nos deixaram contar a nossa própria história com as nossas próprias letras.
Hoje, abra um livro. É a forma mais bonita de comemorar.
*OUVIR E VER*





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