CORDEL HOMENAGEM AO DIA DO VOTO FEMININO
*CORDEL DO VOTO DA MULHER - A CONQUISTA DE 1932*
Vou contar numa poesia
desta história tão bonita,
que começou na tristeza
e acabou em conquista.
É a história da mulher
que de escrava da vida
virou dona do seu voto,
virou gente decidida.
Antigamente, minha gente,
a mulher não valia nada,
não podia abrir a boca,
vivia trancafiada.
O seu lugar era em casa,
no fogão, na pia, na lida,
não podia estudar,
não tinha voz na política.
O homem era quem mandava,
era dono da eleição,
a mulher só obedecia,
sem direito e sem razão.
Não podia ter um título,
não podia se alistar,
diziam que era fraca,
que não sabia votar.
Mas no peito da mulher
ardía uma revolução,
Bertha Lutz levantou a voz
com coragem e coração.
Nísia Floresta já dizia
lá nos tempos do Império:
"Mulher tem inteligência,
não é bicho de cativeiro!"
No Rio Grande do Norte,
terra de povo valente,
Celina Guimarães Viana
foi a primeira, de repente.
Em Mossoró, em 1928,
se alistou pra votar,
abriu a porteira grande
que ninguém mais ia fechar.
O Brasil tava mudando,
Getúlio no poder,
e no dia três de novembro,
pra história acontecer.
Mil novecentos e trinta e dois,
ano que ficou marcado,
o Código Eleitoral
foi enfim assinado.
O decreto foi o 21.076,
quem quiser pode anotar,
dizendo: "Mulher brasileira
agora pode votar!"
Foi choro, foi alegria,
foi festa no sertão,
a mulher com o título na mão
apertando contra o coração.
Antes ela não podia nada,
hoje ela pode tudo.
Hoje ela vota, ela escolhe,
não fica mais de luto.
Antes era só fogão,
hoje é deputada, senadora,
é prefeita, governadora,
é até Presidenta, senhora!
O voto deu independência,
deu política e deu voz,
a mulher que era calada
agora fala por nós.
Ela vota pela creche,
pela escola, pelo pão,
vota por mais respeito,
por mais proteção.
Viva o dia três de novembro,
que não pode ser esquecido,
o dia que a mulher brasileira
ganhou o direito mais querido!
Não foi dado, foi lutado,
foi suado, foi sofrido,
cada voto de mulher
é um grito de vencido.
Por isso, minha senhora,
minha filha, minha neta,
pega seu título com orgulho,
não deixa a história quieta.
Vá votar com alegria,
com amor e com bravura,
que o voto feminino
é a maior formosura.
Esta é minha homenagem
neste cordel verdadeiro,
à mulher brasileira,
deste Brasil inteiro.
Que nunca mais se cale,
que nunca mais se curve,
que seu voto seja livre
como o vento que não urge.

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