HISTORIA DOS TRAPALHÕES NO CINEMA E ALGUNS DE SEUS FILMES NO CINEMA
OS TRAPALHÕES NO CINEMA - A CRÔNICA
Não foi na televisão que Os Trapalhões começaram. Foi no cinema.
Tudo começa em 1965, com *Na Onda do Iê-Iê-Iê*, filme da Jovem Guarda com Wilson Simonal e Wanderléa, onde só aparecem dois jovens ainda desconhecidos: Renato Aragão e Dedé Santana. Ainda não eram Trapalhões. Eram Didi e Dedé tentando a sorte.
Depois vieram *Adorável Trapalhão (1967)* e o *Dois na Lona (1968)* com Ted Boy Marino, ainda em preto e branco, da Herbert Richers. Era o cinema da chanchada morrendo e a dupla tentando sobreviver.
A virada vem nos anos 70. Entra *Mussum em O Trapalhão no Planalto dos Macacos (1976)* e o quarteto só fica completo de verdade no cinema em *Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1978)*. Esse é o primeiro filme com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias juntos na tela grande, uma paródia de Star Wars, dirigido por Adriano Stuart. Levou 5 milhões de gente ao cinema.
De 1978 a 1990 foram *21 filmes com o quarteto clássico*, de Guerra dos Planetas até Uma Escola Atrapalhada. No total, a filmografia oficial tem *43 filmes entre 1965 e 2017*.
*A MAIOR BILHETERIA*
O maior sucesso de todos não foi com os quatro. Foi *O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977)*, dirigido pelo mestre *J.B. Tanko*, ainda sem o Zacarias. 5,8 milhões de espectadores, hoje o 11º filme mais visto da história do cinema nacional. Didi, Dedé e Mussum vivendo caçadores de tesouro. Sete filmes dos Trapalhões estão entre os 10 mais vistos do Brasil.
Depois dele vieram os clássicos que você deve ter levado os filhos: *Os Saltimbancos Trapalhões (1981)* com 5,2 milhões, *O Cinderelo Trapalhão (1979)*, *Os Vagabundos Trapalhões (1982)*, *O Cangaceiro Trapalhão (1983)*, *Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984)* e *Os Trapalhões no Auto da Compadecida (1987)*, dirigido por Roberto Farias.
Quem produzia? Quase tudo pela *Renato Aragão Produções Artísticas em parceria com a Embrafilme*. Os diretores que mais filmaram o grupo foram o J.B. Tanko, o Adriano Stuart, o Dedé Santana - que dirigiu 4 deles - e o José Alvarenga Jr nos anos 80/90. O esquema era sagrado: dois filmes por ano, um nas férias de janeiro e outro nas de julho.
*QUANDO ACABOU*
O fim no cinema tem data marcada pela vida:
*Uma Escola Atrapalhada (1990)* foi o último com Zacarias. Ele já estava muito magro, doente, e morreu em 18 de março de 1990 de insuficiência respiratória.
*Os Trapalhões e a Árvore da Juventude (1991)* foi o último com Mussum. Ele morreu em 1994.
Depois disso, o grupo acabou. Voltaram só Didi e Dedé com *O Noviço Rebelde (1997), Simão o Fantasma Trapalhão (1998) e O Trapalhão e a Luz Azul (1999)*, que foi o último filme da dupla juntos, com só 771 mil espectadores. O ponto final mesmo só veio em 2017 com *Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood*, já como homenagem.
*A BIOGRAFIA RÁPIDA DOS QUATRO, COMO VOCÊ PEDIU:*
*1. Didi - Renato Aragão (1935, Sobral-CE):* O líder. Advogado formado, criou o personagem Didi Mocó inspirado em Charles Chaplin. O dono da bola, produtor, patrão. Está em 42 dos 43 filmes.
*2. Dedé - Manfried Sant'Anna (1936, São Gonçalo-RJ):* O escada. Filho de circo, acrobata, o que apanhava e fazia a piada funcionar. Está em 39 filmes. Foi o diretor de A Filha dos Trapalhões e Reino da Fantasia.
*3. Mussum - Antônio Carlos Bernardes Gomes (1941-1994):* O malandro do samba. Vocalista do Originais do Samba, entrou em 1974. Criou o "mé, cacildis". Morreu de insuficiência cardíaca em 1994, aos 53 anos.
*4. Zacarias - Mauro Faccio Gonçalves (1934-1990):* O mineirinho de Sete Lagoas. Cabeleireiro, maquiador, o mais frágil e mais querido pelas crianças.
Mais de 120 milhões de ingressos vendidos. Nenhuma trupe no mundo ficou tanto tempo no topo.
OUVIR E VER
*Sinopse curtinha:*
Dois malandros atrapalhados tentam virar músicos na época do iê-iê-iê pra conquistar as meninas e ficam no meio de uma confusão de shows e rock.
*Curiosidade curtinha:
* Foi o primeiro filme onde Didi e Dedé apareceram juntos, ainda nem eram Os Trapalhões, era só uma participação na comédia musical com Wanderléa e Wilson Simonal.
*O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão - 1977*
*Sinopse certinha:*
O Pilo (Renato Aragão) e o Duka (Dedé Santana) ganham a vida fazendo briga de mentira em praça de interior, enquanto o Fumaça (Mussum) recolhe o dinheiro das apostas.
A moça Glória (Monique Lafond) vê eles brigando e acha que são valentões de verdade. Ela contrata os três para uma expedição nas Minas do Rei Salomão, onde o pai dela, o arqueólogo Aristóbulo (Carlos Kurt), está preso.
Ela oferece como recompensa um tesouro fabuloso e a única pista que tem é um medalhão, que os vilões querem roubar o filme todo. No meio da viagem o Pilo se apaixona pela Glória, mas ela está interessada no Alberto (Francisco Di Franco), que vai junto na expedição. Vão junto também o cachorro Lupa e a égua Jurubeba, do Pilo.
No caminho enfrentam ciganos, um paxá com beduínos, a tribo Maumau, os ninjas Quaretz e a grande vilã, a bruxa Zuluma com o capanga ermitão dela.
*Curiosidades
- *É só Didi, Dedé e Mussum.* Não tem Zacarias. Foi o último filme do trio antes dos quatro se juntarem em 78 na Guerra dos Planetas.
- *Baseado em livro famoso:* É paródia do romance _As Minas de Salomão_, do inglês Henry Rider Haggard, de 1885.
- *Maior bilheteria deles até então:* Estreou em 19 de dezembro de 1977 e levou 5,8 milhões de pessoas ao cinema. Virou o filme mais visto dos Trapalhões naquela época.
- *Diretor J.B. Tanko*, que fez quase todos os Trapalhões dos anos 70. Duração de 1h22.
- *Filmado na Ilha de Paquetá* no Rio, as cenas do começo.
- *A bruxa Zuluma:* a maquiagem dela foi feita pelo Eric Rzepecki, que era famoso por maquiagem de terror.
- *Elenco feminino:* Monique Lafond era a mocinha Glória, ainda novinha, depois virou atriz da Globo.
*Os Vagabundos Trapalhões - 1982*
*Sinopse:*
O Bonga (Renato Aragão) e a Loló (Louise Cardoso) vivem numa caverna na floresta, perto da cidade, com mais três vagabundos - Dedé, Mussum e Zacarias. Mesmo na miséria, reina amor ali.
O grupo sai pelas ruas do Rio recolhendo crianças órfãs ou abandonadas. Para sobreviver, cantam e dançam em frente a boates. Bonga tem uma promessa: só casa com a Loló quando conseguir dar uma família para cada criança.
Um dia aparece o Pedrinho (Fábio Villa Verde), um menino rico que fugiu de casa. Ele não é abandonado por falta de dinheiro, mas por falta de carinho. O pai dele, Ricardo (Edson Celulari - novinho, primeiro filme dele), é um industrial muito ocupado que nunca tem tempo pro filho.
Pedrinho mente, diz que não tem pai nem mãe, e o Bonga leva ele pra caverna. Lá ele se sente amado pela primeira vez.
O pai oferece recompensa. A psicóloga da escola, Juliana (Denise Dumont), ajuda nas buscas e acaba se apaixonando por Ricardo. Bandidos descobrem onde está Pedrinho e tentam sequestrá-lo por causa do dinheiro da recompensa.
*Curiosidades:*
- *É continuação:* Segundo filme com o personagem Bonga. O primeiro foi _Bonga, o Vagabundo (1971)_, quando o Renato ainda estava sozinho, antes dos Trapalhões virarem quarteto. O Bonga é inspirado no Carlitos de Charles Chaplin
- *Mudança de fase:* Depois de _Os Saltimbancos Trapalhões (1981)_, o grupo parou de fazer só paródia e começou a fazer roteiros originais com mensagem social. Esse foi o primeiro dessa nova fase.
- *Direção:* J.B. Tanko, 96 minutos. Lançou em 24 de junho de 1982.
- *Bilheteria:* Mais de 4,6 milhões de espectadores
- *Trilha sonora forte:* Feita por Sivuca, Glória Gadelha, Wando, Paulinho Tapajós e Renato Aragão. Cantam Fafá de Belém, Zizi Possi e Jessé cantando "Coração Menino", tema do Bonga.
- *Prêmio internacional:* Em 1984 ganhou prêmio no Festival Internacional de Cinema para a Infância e Juventude, em Lisboa
- *Detalhe que quase ninguém lembra:* É o único filme onde o Didi/Bonga já começa casado, com relacionamento correspondido com a Loló. E tem o plot twist do final que o povo comenta até hoje.
Esse filme que deu a ideia pro Criança Esperança depois, sabia?
Foi por causa dessa história de cuidar de criança carente que a Globo criou o projeto no ano seguinte, em 1986, com o Didi como padrinho.
*Didi, o Cupido Trapalhão - 2003*
*Sinopse:*
O Didi morreu e foi pro céu, mas bagunçou tanto lá em cima que nem Deus aguentou ele. Aí Deus manda ele de volta pra Terra com uma missão: virar cupido.
Se ele conseguir unir pelo menos um casal de verdade, apaixonado, ele pode voltar pro céu. Se não conseguir, vai descer um pouco mais pra baixo...
Chegando na Terra, logo de cara ele escolhe o casal mais difícil do mundo: Romeu (Daniel, o cantor) e Julieta (Jackeline Petkovic).
O Romeu é um entregador de lanches pobre que sonha ser cantor. A Julieta é filha rica do Dr. Poleto (Mauro Mendonça), que quer casar ela à força com o Páris (Aramis Trindade), um político arrogante e sem caráter.
Didi se emprega na mansão do Poleto, arruma um jeito do Romeu entrar de garçom na festa de noivado da Julieta com o Páris, e lá ele flecha os dois. A paixão pega fogo na hora.
Daí o Dr. Poleto descobre, manda prender, manda expulsar, manda a Julieta pra um colégio interno no exterior. Julieta diz que prefere morrer do que ficar sem Romeu. Aí Didi tem uma ideia igualzinha a do Shakespeare: faz os dois tomarem um veneno que parece que morreram.
Será que deu certo e ele volta pro céu?
*Curiosidades:*
- *Adaptação de Romeu e Julieta*, do Shakespeare, mas com final feliz, diferente da peça original
- *Lançado em 27 de abril de 2003*, tem 86 minutos. Foi dirigido pelo filho do Renato, Paulo Aragão, com Alexandre Boury.
- *Ficou 4 anos sem filmar.* Foi a volta do Renato ao cinema depois de O Trapalhão e a Luz Azul (1999).
- *Elenco da época:* Tem Kelly Key, Ellen Ganzarolli, Falamansa, Vavá, Kleber Bambam e o Jacaré participando. O Romeu é o cantor Daniel.
- *Estreia da Jackeline Petkovic* no cinema, ela era apresentadora do Bom Dia & Cia na época.
- *Filme solo:* Não tem Dedé, Mussum e Zacarias. Já era só o Didi, que nem nos filmes dos anos 2000.




Comentários