HOMENAGEM AO DIA DO RADIALISTA




 O RÁDIO QUE O BRASIL OUVIU, VIU E NUNCA ESQUECEU

_Uma viagem pelos 103 anos de ondas que inventaram a cultura popular brasileira_

*I - O PRIMEIRO SINAL: 1922, DO CORCOVADO PARA O PAÍS*



A primeira transmissão oficial de rádio no Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, na comemoração do centenário da independência, direto do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, então capital federal. 

O aparelho ainda era artigo de luxo, para poucas famílias. Quem transformou a curiosidade em veículo de comunicação foi Edgard Roquette-Pinto. Em 20 de abril de 1923, ele fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, hoje Rádio MEC, com vocação educativa. É considerado o pai do rádio brasileiro.

A virada comercial veio com Assis Chateaubriand. Em 25 de setembro de 1935, ele inaugura a PRG-3, Rádio Tupi do Rio, com a presença do inventor Guglielmo Marconi. Era a primeira emissora dos Diários Associados. Da mesma Tupi sairia, em 1950, a primeira televisão da América Latina.

Em 12 de setembro de 1936, surge a gigante: a Rádio Nacional, PRE-8, instalada no 22º andar do edifício A Noite, na Praça Mauá, no Rio. Ali nasceria a Era de Ouro. 

*II - A ERA DE OURO: QUANDO O RÁDIO ERA A TV*




As décadas de 1940 e 1950 se tornam a era de ouro do rádio com a consolidação dos programas de auditório, a multiplicação de cantores e a criação do concurso da Rainha do Rádio. 

A Nacional chegou a ter 670 funcionários contratados no auge: 10 maestros, 124 músicos, 96 cantores e cantoras. Orquestra própria regida por Radamés Gnattali, estúdios separados para música, humor e radioteatro. A programação ao vivo era retransmitida para todo o país, pioneira na integração cultural. 

O auditório da Nacional lotava todas as tardes. Eram os programas de Cesar de Alencar, o "Manequim do Rádio", Paulo Gracindo, Manoel Barcelos, Héber de Bôscoli. O Trem da Alegria, comandado por Héber, Yara Sales e Lamartine Babo, saía com um furgão equipado pelas ruas do Rio à procura do ouvinte sorteado. O PRK-30, de 1944, de Haroldo Barbosa e Almirante, foi o primeiro grande programa de humor radiofônico, parodiando tudo. 

E o jornalismo: em 28 de agosto de 1941 surgiu o Repórter Esso, "o primeiro a dar as últimas". Consagrou-se na voz de Heron Domingues a partir de 1944, que ficou 18 anos como locutor exclusivo. Com o slogan "testemunha ocular da história", ficou 27 anos no ar. 

*III - AS RÁDIO-NOVELAS: O BRASIL PAROU PARA OUVIR*



Um dos primeiros programas que caiu no gosto da população, alcançando sucesso de público e grandes audiências, foram as novelas que seguiam o modelo dos folhetins dos jornais. 

A primeira radionovela transmitida no país foi "Em busca da felicidade", no dia 12 de julho de 1941, às 10h30 da manhã, pela Rádio Nacional. Era um original cubano de Leandro Blanco, com adaptação de Gilberto Martins, e ficou aproximadamente três anos no ar. 

Mas o fenômeno absoluto veio em 1951. No dia 8 de janeiro de 1951, às 20 horas, entrava no ar pela Rádio Nacional o primeiro capítulo de "O Direito de Nascer", do cubano Félix Caignet. Adaptação de Eurico Silva, com Paulo Gracindo, Isis de Oliveira, Nélio Pinheiro e Talita de Miranda no elenco. Foram 260 capítulos até setembro de 1952, embora em outros países tenha chegado a 314. Foi tão grande que o povo apelidou de "O Direito de Encher". Mudava a rotina das famílias. Lojas fechavam, ruas esvaziavam. 

Até meados da década de 1950, a Rádio Nacional irradiou 861 novelas, as mais ouvidas do rádio brasileiro. Em 1955, chegou a produzir 157 radionovelas em um único ano. 

A outra gigante 100% nacional foi "Jerônimo, o Herói do Sertão". Criada em 1953 por Moisés Weltman, bastante influenciada pelo faroeste americano, ficou no ar de 1953 até 1967, 14 anos ininterruptos. Sob patrocínio de Melhoral e Leite de Magnésia Philips, ia ao ar de segunda a sexta às 18h35. Jerônimo viveu 96 radionovelas diferentes, transmitidas em centenas de emissoras. O herói de Cerro Bravo, com seu fiel escudeiro Moleque Saci e sua amada Aninha, enfrentando o Coronel Saturnino Bragança, fez ouvintes mandarem cartas de verdade pedindo para Jerônimo defender suas terras. 

Dessas novelas saíram os autores que depois criariam a TV: Oduvaldo Vianna, Dias Gomes, Mário Lago, Janete Clair e Ivani Ribeiro. 

*IV - AS VOZES QUE MARCARAM*



Ary Barroso, homenageado no dia 7 de novembro, era compositor de Aquarela do Brasil, mas também locutor esportivo que tocava gaita quando saía gol.

Almirante, Henrique Foreis Domingues, criou em 1938 o Curiosidades Musicais e inventou o termo "pau de sebo" para a música.

Emilinha Borba e Marlene, as Rainhas do Rádio, dividiam o país. Cauby Peixoto enchia o auditório da Nacional só para respirar no microfone.

Paulo Gracindo, o Albertinho Limonta de O Direito de Nascer, seria depois o eterno Odorico Paraguaçu.


Falamos da história do rádio, da Tupi, da Nacional, e a homenagem de hoje é pro *radialista*, É pro cara atrás do microfone.


*O HOMEM QUE DEU VOZ AO BRASIL*



Hoje, 7 de novembro, é dia dele. O radialista não só fala, ele faz companhia.

Pra não falarmos pouco de novo, aqui estão os gigantes que não podem faltar na nossa homenagem:

*- Ary Barroso:* É o dono do dia. Nasceu hoje em 1903. Foi por causa dele que criaram a lei do Dia do Radialista. Compositor de Aquarela do Brasil e o locutor mais maluco do rádio, tocava gaita quando saia gol.

*- César de Alencar:* O "Manequim do Rádio". O boa noite mais famoso do Brasil. O programa dele na Rádio Nacional parava o país.

*- Paulo Gracindo:* Começou no rádio como galã de radionovela, foi o Albertinho Limonta de O Direito de Nascer. Depois virou o Odorico da TV, mas o berço foi o microfone.

*- Haroldo de Andrade:* O rei da madrugada da Rádio Globo. Ficou mais de 40 anos dando conselho, fazendo rir e chorar o povo trabalhador que ouvia rádio de madrugada.

*- Hélio Ribeiro:* "O Comunicador". Criou um estilo de falar direto com o povo, sem formalidade. Foi a ponte entre o rádio antigo e o rádio popular de hoje, tipo a Super Tupi 

*- Heron Domingues:* A voz do Repórter Esso. Foi ele que disse pro Brasil que a Segunda Guerra tinha acabado.

*- Zé Béttio e Eli Correia:* Os dois que inventaram o rádio que conversa com o ouvinte, que toca música brega, que dá conselho, que faz o povo da periferia se sentir em casa.

O rádio pode mudar de aparelho, de AM pra FM, pra internet. Mas o radialista é o mesmo: é aquele que está sozinho no estúdio e consegue fazer um milhão de gente não se sentir sozinha.



*21 de setembro* foi a data antiga. Começou em 1943, no governo Getúlio Vargas, quando ele sancionou um decreto que fixava piso salarial e remuneração mínima para os profissionais de rádio. A categoria passou a comemorar nesse dia. 

*7 de novembro* é a data oficial hoje. Em 2006 o presidente Lula publicou a *Lei nº 11.327*, que instituiu 7 de novembro como Dia do Radialista, em homenagem ao nascimento do músico e radialista Ary Barroso. 

Por isso até hoje muitos sites e rádios continuam celebrando nas duas datas. O que vale por lei agora é 7 de novembro, mas 21 de setembro ficou na memória histórica da categoria. 

E pra fechar o trio que confunde:
- *21 de setembro* = Dia do Radialista antigo / tradicional
- *7 de novembro* = Dia do Radialista oficial por lei, hoje!
- *21 de Dezembro* = Dia Nacional do Rádio, do Roquette-Pinto.

OUVIR E VER





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