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11 de outubro de 2026

CORDEL: O CURRAL ELEITORAL





CORDEL DO CURRAL ELEITORAL


Eu vou contar num cordel
Que não é de fantasia
É a história do Brasil
Da nossa democracia
Onde o povo é como gado
Tocada na correria.

No tempo do coronel
De chapéu e de chicote
O voto era de cabresto
Amarrado no bigode
Quem não votasse no dono
Perdia até o capote.

O curral era de pau
De fazenda e de porteira
O vaqueiro era o capanga
Com a peia na ladeira
E o povo, feito bezerro
Seguia a mesma fileira.

Como cantou Zé Ramalho
Naquele verso certeiro:
"Oh, fazendeiro do ar,
Óh, admirável gado novo!"
O povo marcado a ferro
No curral do poder novo.

Disseram que o coronel
Morreu, foi enterrado
Mentira bem contada
Pro povo enganado
Ele só trocou de roupa
Botou terno alinhado.

Antes era o fazendeiro
Dono da terra e do pão
Hoje é dono de sobrenome
Dono de televisão
Dono de rede social
Dono de fundação.

O curral não é mais de pau
É de tela e de mentira
É curral de WhatsApp
De promessa que não vira
O gado hoje é digital
Mas a marca ainda vira.

Antes pra ganhar o voto
Era saco de farinha
Um par de bota usada
E uma casa de taipa fininha
Hoje é emenda e é cargo
E auxílio que caminha.

O vaqueiro de antigamente
Virou cabo eleitoral
Com lista na prancheta
E discurso imoral
Tocando o povo pro voto
Como quem toca animal.

E o povo, meu Deus do céu,
Vai tudo amontoado
Com medo de perder tudo
Medo de ficar de lado
Vota com raiva e com medo
Sem nunca ser escutado.

É sempre os mesmos nomes
De pai pra filho e neto
Sarney, Calheiros, Bolsonaro
Lula e seu afeto
O curral tem dono certo
E o gado nunca tá quieto.

Dizem: "É democracia,
Você é livre pra escolher!"
Que escolha livre é essa
Se só tem dois pra valer?
Se o curral tá fechado
E não deixa outro nascer?

Tudo em nome do dinheiro
Tudo em nome do poder
O grandão lá de cima
Só quer permanecer
E o pequeno aqui embaixo
Só quer sobreviver.

Acorda, meu povo nordestino
Meu povo brasileiro
Você não nasceu pra ser gado
Nem pra ser prisioneiro
Seu voto não é boiada
Pra enriquecer fazendeiro.

Quebra a cerca desse curral
Abre os olhos pra enxergar
Pergunta quem te toca
Pra onde vão te levar
Se é pro bem do seu filho
Ou pro bolso de quem tá lá.

Na hora da eleição
Pense bem, cidadão
Quem te trata como gente
E quem te trata como gado
Quem te quer acordado
E quem te quer curralado.

Que esse cordel bem grande
Em forma de livrinho
Acorde quem tá dormindo
No meio do caminho
Que o povo deixe de ser gado
E vire dono do ninho.

*FIM*


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